Papa Leão XIV condena uso da fé para justificar guerras em sua primeira Semana Santa à frente da Igreja Católica. Orações não são ouvidas por quem faz guerra.

Neste domingo, 29 de março, durante a missa de Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, o papa Leão XIV proferiu um forte discurso em que criticou vehemente o uso da religião como justificativa para conflitos armados. O evento, que marca o início da Semana Santa, foi o primeiro sob sua liderança, e o pontífice não hesitou em abordar a questão premente da guerra, especialmente em tempos de crescente tensão global.

Em suas palavras, Leão XIV enfatizou a distância entre a fé e a promoção da violência, afirmando que “Ele não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita”. Essa declaração evidencia uma clara convocação à reflexão sobre como a espiritualidade está sendo distorcida para servir a interesses bélicos. O papa reiterou que “ninguém pode usá-Lo para justificá-la”, reforçando a separação entre o sagrado e os atos de agressão que marcam a humanidade.

O pontífice também fez uma menção significativa ao bispo italiano Antonio Bello, uma referência conhecida por sua incansável luta pela paz e pelos direitos humanos. Ao citar Bello, Leão XIV busca inspiração em vozes que têm se oposto à violência e à guerra, ressaltando que a verdadeira mensagem divina é, em essência, de rejeição à guerra.

Essas declarações do papa aparecem em um contexto de intensificação de conflitos, especialmente no Oriente Médio, onde a guerra é uma realidade cotidiana. Ele se posiciona de maneira contrária a algumas autoridades mundiais, como o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que nos últimos tempos têm utilizado passagens bíblicas para justificar ações militares.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não é apenas uma crítica à instrumentalização da fé, mas também um apelo para que líderes e a sociedade em geral resgatem os valores de paz e amor que devem subjaz a toda prática religiosa. Neste momento de incertezas e divisões, sua chamada à unidade e à paz ressoa com uma urgência ainda maior, convidando todos a repensar o papel da espiritualidade nas dinâmicas contemporâneas de poder e conflito.

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