Desafios na Justiça e na Regulação de Fraudes Digitais no Setor Financeiro
Um painel exclusivo realizado em São Paulo trouxe à tona questões cruciais relacionadas às fraudes digitais, ao chargeback e à segurança cibernética no Brasil. O evento, promovido pelo escritório Cascione Pulino Boulos Advogados, destacou os principais desafios enfrentados pelo setor financeiro. Entre os participantes estavam figuras influentes como Thais Mendonça, da Stripe, e Mariane Flores, do Google Pay, que discutiram as lacunas na aplicação da legislação e os efeitos disso nas instituições e consumidores.
Os especialistas apontaram que muitos juízes brasileiros carecem de conhecimento técnico adequado para lidar com casos de fraudes digitais. Eles frequentemente aplicam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) sem considerar nuances complexas do setor, como as diferenças entre credenciadores e subcredenciadores ou entre biometrias legítimas e fraudulentas. Essa deficiência pode resultar em decisões injustas, onde fraudadores conseguem processar as próprias vítimas com sucesso, uma vez que o sistema não investiga adequadamente a fundo as responsabilidades.
Adicionalmente, as disparidades entre as associações do setor financeiro e o Banco Central (BC) também foram discutidas. As instituições ainda não se uniram em uma abordagem coesa, o que impede a construção de uma agenda comum para abordar problemas existentes. Uma sugestão apresentada foi a criação de um mecanismo de disputas envolvendo árbitros independentes, que possibilitaria uma resolução mais ágil e apropriada para casos complexos de fraudes.
Um tema menos discutido, mas igualmente importante, abordado durante o painel foi o benefício fiscal disponível para empresas afetadas por fraudes. Muitas delas desconhecem que podem deduzir do Imposto de Renda as perdas decorrentes de atos criminosos, desde que devidamente documentadas. Essa informação, louvada por especialistas, poderia servir como uma medida de prevenção aos danos financeiros.
Por fim, a Inteligência Artificial (IA) foi destacada como uma ferramenta dupla na luta contra a fraude. Embora tenha introduzido novos desafios na autenticação de clientes, a IA também propicia uma abordagem mais eficaz para identificação de padrões suspeitos e decifração de tentativas de ataque. O Banco Central, por sua vez, tem implementado mecanismos inovadores, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), focado em rastrear transações fraudulentas, e o BC Protege+, que ajuda a prevenir a abertura não autorizada de contas.
As discussões do painel revelam a necessidade urgente de uma comunicação mais eficaz entre as partes envolvidas e o fortalecimento da estrutura judiciária para enfrentar os complexos desafios das fraudes digitais no Brasil.




