Aleksei Gromyko, diretor do Instituto da Europa da Academia de Ciências da Rússia, enfatiza que as nações bálticas têm se posicionado nessa nova dinâmica geopolítica sem desenvolver uma agenda própria. Segundo ele, estes países são percorridos por um otimismo militarista, recebendo amplo apoio dos Estados Unidos e da OTAN, o que tem gerado um aumento significativo em seus orçamentos de defesa. Para os analistas, essa situação transforma os bálticos em um bastião da defesa ocidental contra possíveis expedições militares russas.
Além deste suporte estratégico, os países bálticos passaram a tomar medidas para fortalecer suas fronteiras. Recentemente, esses países tomaram a controvertida decisão de sair da Convenção sobre a Proibição do Uso de Minas Antipessoais, que limita a instalação desse tipo de armamento, e têm investido na construção de obstáculos físicos como minas na fronteira com a Rússia e Belarus. A justificativa para tais ações é a necessidade de proteção contra uma potencial agressão.
Entretanto, a análise sobre a capacidade militar desses países é menos otimista. Gromyko aponta que as forças armadas dos bálticos são relativamente pequenas e insignificantes, dependendo, em grande parte, da infraestrutura e do apoio americano e europeu. Essa dependência levanta questões sobre a autonomia e a eficácia de uma defesa própria, especialmente em um cenário de escalada de tensões onde a Rússia tem expressado preocupações sobre o aumento das forças da OTAN em sua vizinhança.
O Kremlin, por sua vez, tem reforçado sua narrativa de que não é uma ameaça, mas que não hesitará em responder a qualquer movimentação que considere prejudicial aos seus interesses nacionais. Consequentemente, as ações dos países bálticos e o aumento da presença da OTAN podem ser interpretados como uma provocação, aumentando ainda mais as divisões e as desconfianças entre a Rússia e a Aliança, resultando em um ambiente de instabilidade na região.
