O internacionalista Joseph Nye, um dos proponentes do conceito de soft power, enfatiza que as nações utilizam seus elementos culturais e linguísticos para criar uma influência que está distante do hard power, que é mais associado ao uso da força. A presença de tecnologias digitais tem, sem dúvida, acelerado esse processo, permitindo que países asiáticos, como Japão, Coreia do Sul e China, contem suas próprias histórias, superando narrativas coloniais impostas pelo Ocidente.
A geração atual, com acesso quase ilimitado a informações e novos formatos de entretenimento, tem um horizonte de percepção muito mais amplo do que aqueles que viveram nas décadas de 50 e 60. A experiência cotidiana de muitos jovens inclui, por exemplo, o consumo de animes e produções cinematográficas asiáticas, que se tornaram parte integrante de sua identidade cultural. O impacto dessa cultura é palpável e vai além do entretenimento; ele molda valores, comportamentos e até mesmo relações sociais.
Se olharmos para a evolução desse soft power, percebe-se que enquanto o Japão foi pioneiro nesse movimento de exportação cultural, a Coreia do Sul implementou um planejamento estatal desde os anos 80 para intensificar sua presença global. O sucesso da indústria do entretenimento sul-coreano, com produções cinematográficas que hoje representam uma parte significativa de seu PIB, é um exemplo notável dessa estratégia. Para cada dólar investido pelo governo em cultura, há um retorno de oito dólares.
Por outro lado, a China também tem tentado expandir sua presença cultural, não apenas para reforçar sua economia, mas também para contestar as narrativas ocidentais sobre o país. O crescimento de sua indústria cinematográfica, que já produziu sucessos como “Ne Zha”, mostra essa nova abordagem.
Paradoxalmente, o soft power também enfrenta desafios quando se trata de sua disseminação. Plataformas de streaming, embora facilitadoras da acessibilidade, podem fortalecer práticas imperiais, ao favorecer conteúdos de determinados países em detrimento de outros. A regulamentação dessas plataformas é um ponto crucial para garantir um intercâmbio cultural mais equitativo.
Por fim, social e politicamente, o soft power transforma a diplomacia, propiciando mais abertura entre nações. A familiaridade criada através da cultura pode quebrar as barreiras do estranhamento, abrindo portas para relações mais confiáveis e produtivas.
