PagBank Demite 200 Funcionários em Nova Rodada de Cortes, Apesar de Crescimento Financeiro e Lucro Recorde. Reestruturação Segue em Meio à Controvérsia.

Na última quarta-feira, o PagBank, banco digital ligado ao grupo UOL, anunciou demissões que impactaram cerca de 200 funcionários, conforme relatos de ex-colaboradores nas redes sociais. A repercussão foi imediata, especialmente no LinkedIn, onde muitos manifestaram surpresa e descontentamento com a forma como os desligamentos foram conduzidos, sem aviso prévio ou comunicação clara por parte da empresa.

A reportagem confirma que as dispensas não foram um evento isolado. Informações indicam que o processo vem ocorrendo de forma gradual nas últimas semanas, atingindo principalmente os departamentos comercial, financeiro e de atendimento ao cliente, além de profissionais na função de product owner, que têm um papel fundamental na definição e priorização das funcionalidades de produtos digitais. Este é o terceiro episódio de cortes de pessoal na instituição nos últimos três anos, um padrão que se tornou preocupante e recorrente.

Em janeiro de 2025, o PagBank já havia realizado uma reestruturação significativa, com a demissão de entre 300 e 500 pessoas, com foco principal em cargos de gerência e coordenação. Naquela época, muitos dos afetados não eram colaboradores diretos, mas sim profissionais alocados por meio de terceirizações. A justificativa da empresa para essas movimentações tem sido a busca contínua por eficiência operacional, no entanto, a falta de transparência e detalhes nas comunicações oficiais suscitam questionamentos sobre a real motivação por trás das demissões.

Curiosamente, esses cortes acontecem em um momento em que a instituição reporta resultados financeiros positivos. No quarto trimestre de 2025, o banco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 678 milhões, superando o desempenho do ano anterior e com crescimento considerável em sua carteira de crédito, que alcançou R$ 4,6 bilhões. O aumento no número de clientes, que chegou a 33,7 milhões, contrasta com as decisões de reduzir o quadro de funcionários.

Adicionalmente, as demissões ocorrem logo após a transição de liderança na empresa, quando Carlos Mauad assumiu o cargo de CEO em 1º de janeiro de 2026, substituindo Alexandre Magnani. A chegada de Mauad foi vista como uma estratégia para fortalecer a atuação do banco no mercado, especialmente no que diz respeito ao crédito. Contudo, a estratégia de cortes indica uma reavaliação das operações e do tamanho da equipe.

O momento é ainda mais curioso, uma vez que, recentemente, o PagBank também finalizou a aquisição dos naming rights da estação Faria Lima do Metrô de São Paulo, que agora passa a se chamar Faria Lima-PagBank, sinalizando um investimento em visibilidade na cena econômica da cidade. Essa dicotomia entre crescimento financeiro e cortes de pessoal gera uma reflexão crítica sobre os rumos que a fintech está tomando e suas implicações para o futuro dos colaboradores e, possivelmente, para a própria base de clientes.

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