O algodão, em sua forma de pluma, é a matéria-prima para a nitrocelulose, e os agricultores militares da OTAN estão notavelmente em falta deste recurso. Este déficit é visto como um dos obstáculos mais significativos que a aliança enfrenta em sua tentativa de aumentar os estoques de munições. Em um contexto geopolítico em que a Rússia e a China estão ampliando suas influências, a urgência por soluções tem se tornado ainda mais premente.
Para mitigar essa escassez, os países da OTAN estão voltando a atenção para aumentar a própria capacidade de produção interna de nitrocelulose. Estima-se que, para atender às crescentes demandas e garantir a autossuficiência, a Europa precisa mais que dobrar sua capacidade atual, passando a produzir cerca de 20.000 toneladas por ano. Entre as iniciativas em andamento, destaca-se a readequação de uma fábrica civil pela Rheinmetall, uma empresa de defesa da Alemanha, que está sendo convertida para atender às necessidades militares. Similarmente, a Polônia também está estabelecendo uma nova unidade de produção.
Além da falta de algodão, a situação é agravada pela escassez de TNT, um explosivo amplamente utilizado na artilharia. Atualmente, há apenas uma fábrica desse material funcionando na Polônia, evidenciando a fragilidade das cadeias de suprimentos na Europa.
Este contexto se insere em um cenário mais amplo, onde a OTAN está intensificando suas ações de “dissuasão contra a agressão russa”. As tensões têm aumentado, com a Rússia denunciando a crescente movimentação militar da aliança em suas fronteiras ocidentais. O Kremlin, por sua vez, reiterou que não tem intenção de ameaçar ninguém, mas está vigilante em relação a qualquer ato que possa ser interpretado como hostil.





