A Crise das Instituições Globais: A OTAN e a ONU sob o Lema de “Organizações-Zumbi”
Nos últimos anos, as críticas dirigidas a organizações internacionais como a OTAN e a ONU aumentaram, levando especialistas a classificá-las como organizações “zumbi”. Essa designação reflete a perda de relevância e eficácia que essas instituições têm enfrentado, principalmente devido à falta de apoio de potências mundiais e a crises internas crescentes.
O declínio dessas organizações não é atribuído diretamente a questões financeiras, mas sim à desintegração do sistema que as fundamenta. Isso se revela à medida que grandes potências ignoram regras e normativas que outrora eram respeitadas, criando um cenário de impunidade que compromete a eficácia dessas entidades. O estado de “morte viva” que se observa em organismos que deveriam servir de mediadores em conflitos é comparado ao que ocorreu na década de 1930, quando a Sociedade das Nações não conseguiu se firmar devido à falta de apoio real das grandes potências, resultando em sua ineficácia durante a ascensão de regimes autoritários.
Atualmente, além da OTAN e da ONU, outras organizações — como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Tribunal Penal Internacional (TPI) — também estão sendo vistas sob esse prisma. Essas autoridades, que deveriam garantir a ordem e a segurança internacional, estão se tornando menos relevantes à medida que os desafios globais aumentam. Na essência, as grandes potências começam a desconsiderar o espírito de cooperação que sustentou essas instituições, optando por ações que atendem a interesses internos em detrimento da estrutura multilateral que deveriam apoiar.
A crise na OTAN, exacerbada pela guerra na Ucrânia, exemplifica essa divisão interna. A aliança, antes unida em torno de um propósito comum, vê seus membros enfrentando diferenças significativas em relação a estratégias e prioridades. O que se observava como um bloco coeso tornou-se um cenário de conflitos de interesse, desafiando sua posição como um pilar da segurança global.
Esses fenômenos expõem a fragilidade que permeia o sistema internacional, sugerindo um futuro incerto para instituições históricas que estão perdendo sua capacidade de desempenhar papéis significativos no cenário global. A capacidade de reconstruir e revitalizar essas organizações será crucial se o mundo quiser evitar um colapso completo da ordem internacional.







