Os novos donos do mundo

A compra bilionária do Linkedin pela Microsoft mostra que, para continuar crescendo, grandes empresas vão precisar de uma rede social para chamar de sua

Foi um negócio inédito. Jamais uma empresa gastou tanto para comprar uma rede social como a Microsoft o fez na segunda-feira 13 ao fechar a aquisição do Linkedin por impressionantes US$ 26,2 bilhões – o terceiro maior negócio de toda a história na indústria de tecnologia. É dinheiro suficiente para comprar companhias do porte de uma Vale ou de um Banco do Brasil e, com o troco, ainda arrematar uma Gerdau, para ficar apenas nos exemplos brasileiros. Maior rede social voltada para o mundo corporativo e do trabalho, o Linkedin conta com mais de 400 milhões de usuários registrados em cerca de 200 países, mas é um sumidouro de dinheiro. Só no ano passado, a empresa perdeu mais de US$ 160 milhões, apesar de ter tido uma receita de US$ 3 bilhões. Em 2014 o prejuízo foi menor, algo como US$ 15 bilhões. Para este ano a companhia estima que continuará no vermelho. Olhando para o passado, é difícil entender porque a Microsoft decidiu pagar um prêmio de 50% sobre o valor das ações negociadas em bolsa para ter o Linkedin só para a ela. A resposta está no presente e, principalmente, no futuro.

Nunca na história da indústria tecnológica um só “produto” teve tamanha penetração entre a população de todo o mundo quanto as redes sociais. Hoje estima-se que cerca de 2,3 bilhões de pessoas em todos os continentes acessem alguma rede social de forma ativa, o que equivalente a 31% da população mundial, incluindo aí crianças, adultos e idosos. Em regiões ricas, com os maiores consumidores do mundo, como os EUA, a Europa ou a Ásia, essa penetração chega em média a mais de 50% da população. E mesmo em áreas mais pobres, como a África, o Sudeste Asiático e mesmo o Oriente Médio, as redes são utilizadas por percentuais de mais de dois dígitos da população. Gigante no setor de produção de software, como o Windows, a Microsoft ainda não estava devidamente “armada” para enfrentar seus maiores concorrentes, como o Google, a Apple e o Facebook neste campo de batalha.

E este é um campo de batalha vasto, mas de poucos competidores. Desde o início da década as gigantes do setor têm dado atenção especial para pequenas empresas criadoras de redes sociais novas. Foi assim com o youtube, comprado pelo Google há cerca de 10 anos, com o Instagram, adquirido pelo Facebook em 2012, e o WhatsApp, comprado também pelo Facebook em 2014. A Microsoft já havia feito um movimento neste sentido em 2011, ao adquirir o Skype. Os grandes do setor sabem que é impossível estar fora do jogo global sem ter acesso a um número tão grande de consumidores de forma tão fácil como nas redes sociais. Só o número de usuários registrados no Linkedin, por exemplo, é maior do que a população dos Estados Unidos e do Canadá combinadas.

Não à toa cinco das dez maiores empresas do mundo em valor de mercado estão ligadas de uma forma ou de outra à internet e às redes sociais. O Facebook, uma empresa que nasceu como rede social e que se dedica quase exclusivamente a esse negócio, já é a sexta empresa mais valiosa do planeta, à frente de gigantes como Johnson & Johnson, General Eletric e At&T, por exemplo. Ao comprar o Linkedin, a Microsoft dá mostras de que acredita que vai precisar estar cada vez mais presente nas redes sociais para conseguir ultrapassar a Apple e voltar a ser a mais valiosa empresa do mundo.

Site: istoe.com

Sair da versão mobile