Os opositores justificam sua decisão com a insatisfação em relação ao formato de votação, que será aberto. Para eles, esse modelo expõe os deputados a possíveis pressões e retaliações, comprometendo a liberdade de escolha. Nos bastidores, membros da oposição afirmam que o boicote é uma estratégia para deslegitimar o processo eleitoral e reforçar a contestação jurídica que já está em andamento.
Do outro lado, a base governamental está unindo esforços para garantir a vitória do deputado Douglas Ruas (PL), que é considerado o favorito. As expectativas entre seus apoiadores são otimistas, com a previsão de que, mesmo com a ausência da oposição, ele consiga acumular ao menos 40 votos entre os presentes na Assembleia.
Na manhã da votação, deputados de partidos alinhados à direita se reuniram para discutir a melhor estratégia a ser adotada. Sob a liderança do presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli, o grupo avaliou não apenas a eleição, mas também possíveis desdobramentos que podem ocorrer após a escolha do novo presidente. Um dos cenários analisados inclui a possibilidade de que Ruas não assuma o governo do estado em caso de impedimentos jurídicos, permitindo que ele se mantenha na presidência da Alerj enquanto se dedica a uma campanha eleitoral, dessa forma evitando riscos políticos.
Enquanto isso, a oposição não apenas se organiza para o boicote, mas enfrenta dificuldades para apresentar uma candidatura viável. O deputado Vitor Junior (PDT) retirou sua candidatura após a confirmação do voto aberto, argumentando que o contexto não favorecia uma competição justa. Em resposta, o PDT entrou com uma ação judicial para solicitar que a votação ocorra de forma secreta, alegando que o modelo aberto prejudica a independência dos parlamentares.
O impasse pode se estender ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde parlamentares de esquerda já falam em anular a eleição se ela for realizada com voto aberto, visando a convocação de uma nova votação sob regras que garantam melhor proteção aos deputados.
Essa dinâmica não apenas evidencia as tensões sobre as regras eleitorais, mas também reflete um rearranjo político em curso no estado do Rio de Janeiro, onde a presidência da Alerj se torna um cargo estratégico em meio a possíveis desdobramentos na linha sucessória do governo e sua influência nas pautas legislativas.
