Opinião : Faça o que digo; não faça o que faço

renan_calheiros_felizO brasileiro vem exigindo daqueles que integram a nossa classe política provas de lisura, honestidade e espírito público. Há alguns anos, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva disse que o Congresso Nacional abrigava pelo menos “300 picaretas”. As investigações da Operação Lava Jato, que já colocou atrás das grades até um senador em pleno exercício do cargo (o ex-petista Delcídio do Amaral, cassado pelo Senado), acabou por provar que Lula tinha razão. O ex-presidente acabou sendo enredado na trama que envolve desvio de dinheiro público, tráfico de influência e lavagem de dinheiro que levaram dinheiro público pelo ralo e reduziram o valor e o lucro da maior estatal brasileira, a Petrobras, além de colocar atrás das grades donos de grandes empreiteiras.

Por isso, não é de se estranhar a declaração: “muito do atraso do Congresso (…) reside exatamente nesse modelo político caquético”. O que estranha é que tenha partido justamente do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma das figuras nacionais que cresceram e prosperaram justamente por causa deste modelo político nacional. Antes de aparecer na cena política nacional, na rabeira do fenômeno Fernando Collor de Mello (hoje senador), Calheiros não passava de um político do interior das Alagoas que, na primeira oportunidade, abandonou o cacique alagoano e hoje é uma das figuras políticas mais proeminentes da nossa República. Assim como diversos outros, Renan Calheiros, apareceu, cresceu, enriqueceu e criou mais um clã num Estado sofreu durante toda a história com “coronéis” e chefes políticos mais preocupados com seus “currais” e com os próprios bolsos.
Renan Calheiros é hoje o que mais obnubila o cenário político brasileiro. Indiciado em doze inquéritos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente do Senado, caso tivéssemos um sistema político menos atrasado e obsoleto, não teria vez no parlamento. O político alagoano, ao mesmo tempo em que afirma “o ovo da serpente, a origem de todos os desalinhos, está na decrépita e permissiva legislação política e eleitoral do País”, deveria fazer um ‘mea culpa’ e assumir parte do ônus deste atraso que ainda cria no Brasil bolsões de miséria e de necessidade ao participar de desvios das verbas públicas que saem do sacrificado bolso do contribuinte brasileiro. O Brasil exige uma reforma que limite o espaço para as fraudes e a corrupção, impedindo que elementos como Renan Calheiros prosperem e continuem sugando e locupletando sob um sistema político arcaico, atrasado e permissivo.
Renan tem razão e deveria, num esforço de sinceridade, deixar a política e livrar o País de mais um elemento nocivo, mais preocupado com os próprios interesses do que com das demandas da maioria da população brasileira.
Fonte : gcn.net.br

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