A Polícia Federal apreendeu dezenas de planilhas com informações sobre emendas parlamentares de deputados federais durante a Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025. O material foi encontrado em endereços ligados à advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora e braço-direito do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) durante sua gestão à frente da Presidência da Câmara dos Deputados.
Segundo a investigação, os documentos estavam armazenados principalmente em um computador antigo localizado em um dos endereços alvo de busca e apreensão, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Além da residência, o gabinete ocupado por Mariângela Fialek na Câmara também foi alvo da operação.
As planilhas estão sob análise da Polícia Federal, que busca identificar se os registros correspondem ao controle das chamadas emendas de relator — mecanismo conhecido como orçamento secreto, proibido pelo STF em 2022 por falta de transparência. Uma das linhas de apuração é verificar se os documentos detalham a distribuição de recursos conforme interesses de lideranças políticas e parlamentares.
De acordo com a PF, Mariângela Fialek é investigada sob a suspeita de ter atuado na organização e no controle do orçamento secreto em sua fase inicial, ainda durante a pandemia da covid-19, período que coincide com o mandato de Arthur Lira na presidência da Câmara. A corporação aponta indícios de uma atuação contínua na gestão dessas emendas.
A operação também apura se a ex-assessora manteve influência sobre a destinação de recursos após a proibição das emendas RP9, por meio das chamadas emendas de comissão, consideradas por investigadores como uma nova modalidade de repasse com baixa transparência. Há ainda a suspeita de que essa atuação tenha se estendido à gestão do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A investigação teve início após depoimentos de parlamentares que relataram possíveis irregularidades na destinação de emendas. Procuradas, as defesas de Mariângela Fialek e de Arthur Lira não se manifestaram. A assessoria de Hugo Motta também optou por não comentar o caso até o momento.
Entre 2020 e 2022, o orçamento secreto foi responsável por cerca de R$ 45 bilhões empenhados, dos quais aproximadamente R$ 20 bilhões teriam sido pagos sem identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações, segundo dados citados pela investigação. O modelo foi proibido pelo STF justamente pela ausência de transparência e pela dificuldade de fiscalização dos recursos públicos.






