Operação Riqueza Sombria: Polícia investiga grupo de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico do Comando Vermelho e mobiliza agentes em quatro estados brasileiros.

A 96ª Delegacia de Polícia de Miguel Pereira deflagrou, na terça-feira, a Operação Riqueza Sombria, que visa desmantelar uma rede criminosa suspeita de estar envolvida na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas da facção Comando Vermelho (CV). As investigações revelaram um esquema sofisticado que movimentou mais de R$ 116,6 milhões, com ramificações em diversos estados brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Agentes policiais estão mobilizados para cumprir 18 mandados de busca e apreensão, tendo já realizado a prisão de duas pessoas. Além das detenções, foram apreendidas uma arma, celulares e vários equipamentos eletrônicos que podem contribuir para as investigações em curso. As operações no Rio de Janeiro se concentram em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e no Jacaré, na Zona Norte da capital, mas também se estendem a cidades como Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul, bem como Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo, e Formiga, em Minas Gerais.

As investigações começaram a partir de informações coletadas em uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, Zona Norte do Rio. Durante essa ação, foram apreendidos não apenas entorpecentes, mas também rádios de comunicação, uma arma falsa e documentos bancários que revelaram práticas suspeitas. A análise desses documentos indicou um padrão de depósitos fracionados em agências localizadas em regiões sob domínio do CV, especialmente no Complexo do Chapadão, violando o princípio da transparência financeira.

Os investigadores descobriram que os recursos obtidos com atividades ilícitas eram dissimulados por meio do chamado “smurfing”. Esse método consistia em fazer múltiplos depósitos em dinheiro, dificultando o rastreio por parte dos órgãos reguladores. Os valores provenientes do tráfico eram direcionados a contas de pessoas físicas e empresas de fachada, denominadas “laranjas”, que serviam como intermediárias para reinserir esses fundos no sistema financeiro formal.

Além disso, a movimentação do dinheiro tinha conexões com cidades situadas na faixa de fronteira com o Paraguai, fatores que, segundo o Ministério Público do Estado do Rio, tornam o município de Sete Quedas um ponto estratégico nas rotas do tráfico internacional. Embora os investigados apresentassem declarações de baixa renda, suas movimentações financeiras eram incompatíveis com essa realidade, ressaltando a sofisticação da trama criminosa.

A operação, que conta com o apoio de diversas polícias civis e grupos de combate ao crime organizado, visa identificar todos os integrantes dessa organização, além de aprofundar as análises patrimoniais dos investigados para responsabilizá-los penalmente. O desdobramento dessa ação é essencial para o combate à lavagem de dinheiro e aos vínculos do crime organizado no Brasil.

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