Operação Quimera do RJ desarticula esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, envolvendo clube e pousada com movimentação de R$ 11 milhões.

Operação Quimera: Ações Contra o Comando Vermelho Revelam Esquema de Lavagem de Dinheiro no Rio de Janeiro

Na manhã de terça-feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro desencadeou a Operação Quimera, com o objetivo de desmantelar um elaborado esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Comando Vermelho (CV). As investigações indicam que a organização criminosa utilizava um clube recreativo na Zona Norte da capital e uma pousada em Armação dos Búzios para movimentar mais de R$ 11 milhões oriundos do tráfico de drogas.

As ações se concentraram em dez endereços estratégicos, abrangendo tanto a capital quanto a Região dos Lagos. Entre os alvos da operação estavam o Várzea Country Clube, conhecido por suas atividades de lazer, e imóveis pertencentes a indivíduos ligados à facção criminosa. A Justiça determinou também o bloqueio de valores, a indisponibilidade de bens e veículos, além da quebra de sigilos financeiros e fiscais dos investigados. Este esforço é parte da Operação Contenção, uma estratégia estatal focada em combater o avanço do CV na região.

A investigação iniciou quando membros do Social Clube Marabú relataram pressões e ameaças para transferir a administração do espaço a representantes do tráfico. Essas intimidações foram atribuídas a Jeam Carlos do Nascimento Santos, conhecido como “Jeam do 18”. De acordo com os relatos, o grupo criminoso pretendia cobrar R$ 6 mil mensalmente para garantir a operação do clube sem represálias.

Dentro da operação, as equipes também descobriram um núcleo familiar forte na gestão do Várzea Country Clube. Amauri Paixão Ferreira e seus familiares foram identificados como os administradores informais do clube, movimentando grandes quantias sem justificativas adequadas. Esse grupo gerou transações financeiras que levantaram suspeitas sobre a origem dos recursos, destacando-se transferências de valores exorbitantes via PIX.

Um ponto de particular atenção foi uma pousada em Búzios, que também é alvo da investigação. Com uma taxa diária de cerca de R$ 540 durante a alta temporada e uma estrutura modesta, o local movimentou R$ 3,44 milhões em apenas seis meses. A análise dos depósitos em espécie revelou que mais de R$ 955 mil foram registrados, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro. As ligações entre a pousada e o núcleo do Várzea foram evidentes, evidenciando um circuito financeiro que dificultava a identificação da origem dos fundos.

Com a operação em curso, a Polícia Civil se compromete a aprofundar as investigações, desvendando a complexa rede de corrupção e crime financeiro que ainda persiste nas sombras da sociedade carioca. A continuidade dessas ações poderá trazer maior clareza e justiça em um cenário marcado pela violência e pelo tráfico de drogas.

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