Escândalo no Rio: Pastor e Bicheiro ligam-se ao Comércio de Cigarros Ilegais
Na última quinta-feira, a operação da Polícia Federal que desarticulou uma quadrilha ligada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho trouxe à tona um intrincado esquema de corrupção e tráfico de cigarros ilegais. Entre os implicados, Charles Guilherme Costa de Vasconcellos foi classificado como o “laranja” do pastor Márcio Poncio, além de ser acusado de atuar diretamente como operador do esquema de Adilsinho. A operação investiga repasses financeiros de Adilsinho a políticos do estado do Rio, e as autoridades suspeitam que Poncio mantenha vínculos significativos com a chamada “Máfia do Cigarro”, notória por suas práticas ilícitas.
Vasconcellos foi preso durante a ação, e seu nome já era conhecido na esfera judicial devido à sua ligação com o grupo empresarial liderado por Poncio. Segundo a Polícia Federal, ele é sócio da empresa Comercial 8, a qual supostamente desempenha um papel central na distribuição de cigarros ilegais. Há acusações de que a empresa de Vasconcellos vende mercadorias abaixo do valor legal e emite notas fiscais fraudulentas, buscando burlar a fiscalização tributária e as investigações policiais. Além disso, a PF afirmou que ele realizava transações em dinheiro, cuja origem estaria ligada à venda clandestina de cigarros.
Histórico de atividades obscuras
Antes de ser identificado em conexões com o crime organizado, Vasconcellos havia sido envolvido em questões legais referentes ao pastor Márcio Poncio e suas empresas, as quais enfrentam ações fiscais devido a débitos impostos. Há evidências que o classificam como um “laranja”, com seu envolvimento emergindo em 2016, quando ingressou na Planalto Indústria e Comércio de Cigarros após pagar R$ 275 mil pelas cotas da empresa, que contava também com o investimento de sua mãe.
Curiosamente, em 2018, Vasconcellos declarou à Receita Federal ter herdado bens vinculados à Igreja Pentecostal Anabatista de Duque de Caxias, onde Poncio atuava como pastor, reforçando a teia de relações pessoais e empresariais que permeia o caso.
Em uma reviravolta, em maio de 2019, Vasconcellos transferiu suas cotas para Simone Poncio da Silva, esposa do pastor, e Jonathan Couto de Souza, cunhado de Poncio, com a intenção de se desvincular da sociedade. Registros em mídias sociais mostram a proximidade de Vasconcellos com a família do pastor, complicando ainda mais a trama de relações.
Por fim, o pastor Márcio Poncio foi detido em um luxuoso apartamento no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, sem que sua defesa tenha se manifestado sobre os desdobramentos da prisão. A investigação continua, revelando um panorama alarmante e crescente de envolvimento entre religião e crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A sociedade aguarda ansiosamente por esclarecimentos sobre essas práticas ilícitas que afligem a região.
