Operação Ofensiva Total: 10 mil soldados no Equador enfrentam crítica sobre eficácia e riscos de vítimas colaterais na guerra contra o crime organizado

A mobilização de mais de 10 mil soldados nas regiões mais afetadas pela violência no Equador tem gerado discussões acaloradas sobre sua eficácia e os possíveis efeitos colaterais. De acordo com especialistas, essa operação, denominada “Ofensiva Total”, pode resultar em um aumento de conflitos e, potencialmente, em vítimas colaterais. A medida, apresentada pelo governo equatoriano como uma resposta categórica contra grupos criminosos, visa assegurar a segurança da população, prometendo um combate “ofensivo e contínuo” aos crimes que assolam as províncias de Guayas, Los Ríos e Manabí.

O governo, liderado pelo presidente Daniel Noboa, parece criar uma “dependência” de operações dessa natureza, que, segundo analistas, têm mostrado resultados limitados na resolução dos problemas subjacentes do crime organizado. O Ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, anunciou a transferência do Alto Comando Militar para Guayaquil, reconhecendo a cidade como o epicentro da violência relacionada ao narcotráfico e outras atividades ilícitas.

Ana Minga, especialista em segurança, destacou que, embora uma maior presença militar possa inibir crimes menores, sua eficácia no combate a organizações criminosas mais estruturadas é questionável. Para Minga, a captura de líderes dessas organizações tende a aumentar a violência nas ruas, já que novos líderes rapidamente emergem para ocupar o espaço deixado. A especialista enfatiza a necessidade de o estado não apenas recuperar territórios, mas também mantê-los de forma sustentável, evitando uma lógica de “guerra” que muitos grupos criminosos já internalizaram.

Por outro lado, Daniel Pontón, outro especialista em segurança, ressaltou que, apesar das operações e das capturas anunciadas pelo governo, a verdadeira raiz do problema muitas vezes permanece intocada. Para ele, a constante reestruturação dos grupos criminosos e a falta de uma avaliação rigorosa das políticas de segurança têm contribuído para um ciclo vicioso de violência. A militarização crescente e a repetição de operações similares podem ser vistas mais como uma estratégia para conquistar popularidade do que como uma solução eficaz para a inquietante realidade de crimes no país.

As recentes ocorrências de violência, incluindo o assassinato de líderes de gangues em áreas de alto poder aquisitivo, põem em evidência que o crime organizado não é apenas um fenômeno marginal, mas sim uma questão com raízes profundas que permeiam diversas camadas da sociedade equatoriana. Portanto, para os analistas, a abordagem atual do governo pode ser insuficiente. Hoje, o debate sobre segurança no Equador não se limita mais a gangues em conflito, mas abrange uma análise mais abrangente das relações econômicas que sustentam o crime organizado. Assim, a necessidade de se entender a complexidade do problema se torna cada vez mais urgente, exigindo do governo uma reavaliação das estratégias em vigor.

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