Operação do MP do Rio mira deputado e ex-assessor em esquema envolvendo tráfico e corrupção; R$ 320 mil são apreendidos em buscas.

Nesta quinta-feira, uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro resultou em mandatos de busca e apreensão direcionados a três indivíduos: o deputado estadual Val Ceasa (PRD), o ex-vereador Ulisses Marins e Michael Johnny Vianna de Azevedo, que foi assessor parlamentar do deputado. O ponto focal da operação foi a investigação sobre possíveis vínculos com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

Michael Johnny foi preso em flagrante, juntamente com sua companheira Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, por posse ilegal de arma de fogo. Ambos são funcionários da Companhia Municipal de Energia e Iluminação do Rio de Janeiro, a Rioluz. Michael, que trabalhou como assessor de Val Ceasa entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025 e atualmente ocupa um cargo de fiscalização de iluminação pública na Zona Norte, foi admitido na Rioluz em fevereiro do ano passado, recebendo um salário líquido de R$ 3,4 mil. Em um comunicado, a Prefeitura do Rio declarou que, à época da nomeação de Michael, não foram encontradas evidências que impedissem sua contratação e anunciou a exoneração dele, que será publicada no Diário Oficial na data de hoje.

Suelen, viúva do ex-vereador Zico Bacana, assassinado em 2023, também foi nomeada na Rioluz, tendo um salário líquido de R$ 4.577,39, além de eventuais suplementos de até R$ 6 mil em alguns meses. Após a morte do marido, Suelen tentou uma vaga na Câmara Municipal e foi eleita suplente.

A investigação revela que Val Ceasa e Ulisses Marins estariam envolvidos em tentativas de barrar a demolição de um resort de luxo associado ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, uma figura proeminente do TCP. A operação cumpriu 14 mandados de busca, resultando na apreensão de aproximadamente R$ 320 mil em dinheiro na residência de Val Ceasa, além da coleta de celulares dos três alvos.

A apuração se intensificou após relatos de que parlamentares foram abordados pela Polícia Militar para obter informações sobre a demolição de imóveis ligados à facção na Parada de Lucas. O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, indicou que a investigação poderia evidenciar a infiltração do TCP nas estruturas da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Os mandados foram autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, e as buscas estão sendo conduzidas pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil. Em resposta, a Alerj afirmou estar monitorando a operação e reiterou seu compromisso com a transparência e a colaboração nas investigações.

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