Operação da PF mira ex-integrantes do governo do Rio por suposto envolvimento em esquema de favorecimento à Refit, maior devedora de impostos do país.

Em uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (7), ex-integrantes do governo do Rio de Janeiro foram alvos de busca e apreensão da Polícia Federal. A ação se deu em razão de investigações que ligam esses indivíduos a interesses de uma das maiores devedoras de impostos do país, a Refit, empresa liderada por Ricardo Magro. O ex-secretário da Fazenda, Juliano Pasqual, e Renan Saad, que ocupava a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), estão entre os investigados. Ambos já não fazem parte do governo, tendo sido exonerações determinadas pelo governador interino, desembargador Ricardo Couto, há pouco mais de um mês.

A operação não se restringe a esses dois nomes. O ex-governador Cláudio Castro também foi mencionado, com a polícia tendo apreendido dispositivos eletrônicos em seu apartamento, incluindo um celular e um tablet. Informações de bastidores mostram que a ascensão de Pasqual à Secretaria da Fazenda contou com o apoio de Ricardo Magro, evidenciando uma rede de relacionamentos que atravessa as esferas do poder e da economia fluminense.

A exoneração de Pasqual foi formalizada a 29 de abril, após a saída de Castro do governo, e desde então, Couto tem promovido uma série de mudanças, visando reestruturar a administração pública. Renan Saad, por sua vez, ocupou o cargo de procurador durante parte da gestão de Castro, e foi demitido por não ceder às pressões para facilitar o funcionamento da Refit, que, segundo fontes, enfrenta problemas financeiros constantes.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já havia interditado a Refit em setembro do ano passado por questões de irregularidades, mas a empresa conseguiu retomar suas atividades após um mês. Em resposta, o governo fluminense, através da PGE, moveu ações na Justiça para reverter essa decisão.

A Polícia Federal aponta que a gestão de Pasqual transformou a Secretaria da Fazenda em uma extensão dos interesses do grupo empresarial, dificultando a concorrência no mercado. De acordo com a investigação, a relação entre esses personagens ilustra uma complexa intersecção entre práticas empresariais duvidosas e a administração pública no Rio de Janeiro. As defesas de Pasqual e Saad ainda não foram contatadas, mas a PF enfatizou que este caso representa uma das mais significativas tentativas de exploração ilícita dos recursos públicos nos últimos anos no estado. As autoridades destacam a extentividade das ligações políticas e o impacto dos altos valores envolvidos nas operações do grupo empresarial na corrupção no setor público fluminense.

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