O desencadeamento da operação se deu após a Polícia Civil descobrir comunicações entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, que é um dos líderes do CV, e um miliciano. Estas conversas trouxeram à tona a figura de Márcio dos Santos Nepomuceno, popularmente chamado de Marcinho VP. Mesmo encontrado em um presídio federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ele continua exercendo forte influência dentro da facção criminosa.
Classificada como parte da Operação Contenção, a ação é resultado de um trabalho de investigação que se estende por aproximadamente um ano. A equipe policial conseguiu mapear os fluxos financeiros que sustentam o CV, utilizando dados obtidos de dispositivos eletrônicos apreendidos e informações coletadas através de análises telemáticas e financeiras.
Os agentes identificaram um esquema complexo que envolve a recepção, fragmentação e reinserção de dinheiro ilícito no circuito econômico formal. Dinheiro proveniente do tráfico era transferido por chefes do CV para operadores financeiros, que realizavam diversas transações utilizando contas de terceiros. Isso não só facilitava a ocultação de ativos, como também servia para o pagamento de despesas e a aquisição de bens, mostrando uma estratégia bem estruturada para disfarçar a origem ilegal dos fundos.
Movimentações financeiras que não se alinhavam com a renda informada pelos investigados foram detectadas, o que evidenciava a proveniência criminosa do dinheiro. A investigação revelou a orquestração coletiva de vários membros envolvidos, incluindo operadores que intermediaram transações sucessivas, criando camadas de complexidade para dificultar o rastreamento dos valores.
As atividades investigativas continuam, com o objetivo de identificar outros envolvidos, empresas que possam estar sendo utilizadas para lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos dessas operações ilícitas. A Operação Contenção visa não apenas conter a expansão territorial do CV, mas também desestruturar suas bases financeiras, logísticas e operacionais, além de prender traficantes. Até o momento, já foram capturadas mais de 300 pessoas, enquanto cerca de 136 criminosos perderam a vida em confrontos com as forças de segurança. A operação também resultou na apreensão de cerca de 470 armas, entre as quais se destacam 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.
