Operação Compliance Zero: Advogado de ex-banqueiro é peça-chave em esquema de propina e lavagem de dinheiro, indicam investigadores da Polícia Federal.

Na recente operação da Polícia Federal, novas revelações acerca do esquema criminoso liderado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro vêm à tona, com a prisão do advogado Daniel Monteiro, considerado essencial para a elucidação do caso. Monteiro, um dos braços direitos de Vorcaro, é apontado como uma peça-chave na estrutura que supostamente facilitava o pagamento de propinas, em especial ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa.

As investigações foram intensificadas após a coleta de provas que sugerem a existência de um complexo sistema utilizando fundos de investimento da Reag para práticas ilícitas. A pretensão é realizar um mapeamento detalhado das transações da organização criminosa, bem como levantar o patrimônio dos envolvidos e rastrear o fluxo financeiro obscuro. Monteiro, em particular, está no centro dessas apurações, sendo considerado crucial para desvendar como a operação funcionava.

Durante a análise das comunicações entre Monteiro e Vorcaro, os investigadores descobriram discussões sobre a contratação de diretores para empresas de fachada, que teriam sido criadas para ocultar o repasse de propinas a Costa. A escolha de um cunhado de Monteiro para essa função reforça a ligação íntima entre os envolvidos e levanta suspeitas sobre uma rede mais ampla de corrupção.

Os elementos coletados durante a quarta fase da Operação Compliance Zero revelaram que seis empresas “de prateleira” estavam subjacentes ao esquema, todas registradas no mesmo endereço que o escritório de Monteiro, onde foram realizadas buscas pela Polícia Federal. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, destacou que a prisão de Monteiro é necessária para evitar obstruções nas investigações, uma vez que ele detém um conhecimento profundo dos mecanismos de ocultação de bens.

Por outro lado, a defesa de Costa contesta a necessidade da prisão, considerando-a exagerada e sem fundamentos que justifiquem medidas tão drásticas. A defesa de Monteiro também se posicionou, afirmando que suas ações sempre estiveram estritamente ligadas à sua atuação profissional como advogado, sem ligação com práticas ilícitas.

A Polícia Federal também adverte sobre a possibilidade de que os investigados possam utilizar seus recursos e influência para destruir provas ou coagir testemunhas, o que justifica ainda mais a manutenção da prisão preventiva. A análise continua complexa, com os investigadores consciente de que o sistema de lavagem de dinheiro instaurado por Vorcaro pode ser mais abrangente do que o inicialmente imaginado. A expectativa é que mais informações e desdobramentos surjam à medida que as investigações avançam.

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