Operação Carbono Oculto: MPSP deve concluir investigações sobre esquema bilionário do PCC em até 90 dias, com 40 possíveis denunciados.

Ministério Público de São Paulo Intensifica Investigações na Operação Carbono Oculto

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) está em fase avançada de apuração da Operação Carbono Oculto, uma ação de significativa relevância que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. As investigações, que ocorrem dentro de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) iniciado em 2024, têm como expectativa a conclusão em um prazo de até 90 dias e devem resultar na denúncia de aproximadamente 30 a 40 indivíduos envolvidos no esquema.

Atualmente, a investigação está envolta em sigilo e é considerada de alta complexidade, enfrentando desafios, como a necessidade de conclusão de perícias que possam elucidar os contornos dessa operação. Entre os alvos da investigação, destacam-se os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”, que estão foragidos da justiça.

Deflagrada em agosto do ano passado, a Carbono Oculto já mapeou cerca de 350 indivíduos e empresas como parte de uma das mais abrangentes ofensivas contra o crime organizado no Brasil. A magnitude das operações sob investigação é alarmante: uma rede de 1.200 postos de combustíveis é suspeita de ter movimentado mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, enquanto recolheu meros R$ 90 milhões em tributos, o que representa apenas 0,17% do que deveria ser arrecadado.

A metodologia utilizada para a lavagem de dinheiro pela organização criminosa é intrigante. Relatos indicam que os envolvidos podem ter utilizado 40 fundos financeiros, com um patrimônio total estimado em R$ 30 bilhões, operados por agentes do setor financeiro na região da Faria Lima, em São Paulo.

Informações recentes indicam que os empresários foragidos estão em negociações para firmar acordos de colaboração com o MPSP, como revelou o procurador-geral de Justiça, que destacou que a investigação atinge não apenas os empresários, mas também servidores públicos e, potencialmente, figuras políticas.

Vale ressaltar que a Carbono Oculto não está isolada; ela está interligada a outras investigações em curso no setor de combustíveis, especialmente à Operação Tank. Recentemente, houve movimentações judiciais que insinuaram o envio do caso à Justiça Estadual do Paraná, o que poderia restringir a ação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). No entanto, essa decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), garantindo que a investigação permaneça em âmbito federal. A continuidade desse caso destaca a vigilância constante do MPSP e órgãos federais sobre práticas criminosas que afetam seriamente a economia e a segurança pública.

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