Operação Carbono Oculto: Delação de ‘Beto Louco’ revela esquema de lavagem de dinheiro, ligações com o PCC e fugas internacionais de empresários investigados.

A proposta de delação premiada apresentada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, está sob análise do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa. Beto Louco é um dos principais investigados na Operação Carbono Oculto, que foi deflagrada em agosto de 2025, em meio a um esquema que envolve lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis. Os documentos da proposta já foram oficialmente protocolados no Ministério Público de São Paulo (MP/SP).

Fontes relacionadas ao caso indicam que Beto Louco apresentou documentos preliminares que sugerem o potencial impacto do acordo. Entre as informações reveladas pelo empresário estão os nomes de magistrados e servidores públicos que, segundo ele, estariam envolvidos nas irregularidades dentro do setor de combustíveis. Para substanciar suas afirmações, ele também forneceu números de telefones celulares, os quais podem conter dados valiosos sobre as fraudes e os demais indivíduos implicados no esquema.

Um dos pontos mais importantes da proposta é o compromisso de Beto Louco em ressarcir os cofres públicos por todos os prejuízos gerados pelas fraudes fiscais. As investigações, que envolvem o Ministério Público de São Paulo e a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-SP), revelaram que as empresas Copape e Aster Petróleo sonegaram cerca de R$ 1,3 bilhão em ICMS entre janeiro de 2020 e abril de 2021. As revelações apontam ainda para uma conexão alarmante entre este esquema e postos de combustíveis ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

Conforme as apurações da Operação Carbono Oculto, Beto Louco era responsável pela gestão das empresas que facilitaram essas fraudes, que teriam se expandido para toda a cadeia produtiva, incluindo a aquisição de usinas de etanol. Relatos mencionam práticas intimidatórias contra fazendeiros para forçar a venda de propriedades.

Após se tornarem alvos de uma investigação intensa, Beto Louco e seu colaborador, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, abandonaram o Brasil e buscaram refúgio em um país do norte da África. Os dois agora estão na lista de foragidos da Interpol e estão em negociações para um possível acordo de delação premiada, por meio de seus advogados. Uma tentativa anterior, que envolvia menções a figuras políticas, foi rechaçada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no ano passado.

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