O Futuro do Open Finance no Brasil: Desafios e Oportunidades
O Brasil se destaca no cenário global do Open Finance, acumulando mais de 220 milhões de consentimentos ativos e cerca de 130 milhões de contas conectadas. Entretanto, especialistas da área destacam que ainda há uma necessidade urgente de aprimoramento para que esse sistema ofereça benefícios concretos aos consumidores. As discussões a respeito dessas questões aconteceram durante a Rio Innovation Week 2026, um evento que reuniu líderes e profissionais do setor de inovação e tecnologia.
Um dos principais pontos abordados foi o fato de que, embora o consentimento tenha se mostrado um grande sucesso, o verdadeiro desafio reside em “lubrificar a engrenagem” do sistema, conforme destacou Rafaela Nogueira, responsável por Inteligência Regulatória em uma das maiores instituições de fintechs do Brasil. Ela ressaltou que a comunicação entre as diversas entidades ainda precisa de ajustes significativos. Para Rafaela, a dificuldade em monitorar e identificar problemas evidencia um processo que é, em sua maioria, manual e, portanto, suscetível a falhas.
Dentre as questões que precisam ser endereçadas, destaca-se a ausência de critérios para filtrar a urgência dos problemas apresentados pelos usuários do sistema, fazendo com que situações críticas sejam tratadas com a mesma prioridade que questões menos relevantes. Isso acaba gerando atrasos na solução de problemas mais graves, o que, por sua vez, prejudica a experiência do cliente final.
Além disso, Rafaela apontou um dado alarmante: em mais de 60% dos casos em que dados são solicitados, as informações não estão atualizadas. Para ela, a implementação de uma arquitetura mais eficiente, pautada na mensageria, poderia mitigar esse problema ao permitir que instituições notifiquem mudanças de forma proativa.
O panorama atual do Open Finance revela também uma discrepância significativa no desempenho entre as entidades, dificultando uma operação harmoniosa. Essa irregularidade acaba por impactar negativamente a experiência do cliente, uma vez que o sistema opera em rede e depende da colaboração eficaz de todas as partes.
Alguns especialistas, como Danillo Branco, sócio de uma empresa focada em Open Insurance, argumentam que a implementação de medidas punitivas, similares às que impulsionaram o sucesso do Pix, é essencial para que as instituições se sintam motivadas a melhorar suas performances no Open Finance. Segundo ele, a falta de regulamentação efetiva por parte do Banco Central e da Associação Open Finance frustra os avanços desejados.
Em suma, as perspectivas para o Open Finance no Brasil são promissoras, mas cercadas de desafios. A transformação desse sistema em uma ferramenta acessível e vantajosa para os consumidores exige uma abordagem resolutiva e um comprometimento de todas as partes envolvidas. Se a engrenagem do Open Finance não for aprimorada, o potencial para inovação e eficiência no setor financeiro poderá não ser plenamente alcançado.
