Open Finance Completa 5 Anos no Brasil, Mas Barreira de Entrada Continua Alta e Desafia Novos Participantes ao Ecossistema Financeiro.

Open Finance no Brasil: Um Gigante em Crescimento e os Desafios da Acessibilidade

O Open Finance brasileiro celebra cinco anos de existência, consolidando-se como o maior do mundo em seu segmento. Impressionantes 100 milhões de clientes estão conectados ao sistema, além de 154 milhões de consentimentos ativos, o que representa um crescimento expressivo de 143% em consentimentos únicos entre 2024 e 2025. No que diz respeito à iniciação de pagamentos, os dados revelam um salto significativo no volume de transações, que passou de R$ 3,2 bilhões em 2024 para R$ 15,3 bilhões em 2025, um aumento quase cinco vezes.

Entretanto, essa trajetória de expansão contrasta com a realidade enfrentada por novos participantes que buscam ingressar nesse ecossistema financeiro inovador. A estrutura de conhecimento disponível para desenvolvedores e empresas que desejam construir sobre as bases do Open Finance permanece limitada e não se evoluiu na mesma medida que os números de acessos e transações.

A documentação técnica do sistema, embora extensa e repleta de informações regulatórias, tem um enfoque que prioriza o que o sistema exige, não o que é necessário para efetivamente integrar-se a ele. Essa lacuna deixa novos desenvolvedores sem um guia claro sobre como realizar suas integrações. Um novo participante pode levar semanas somente para identificar a primeira chamada de API necessária, ilustrando a complexidade que permeia esse ambiente.

Não é apenas uma percepção isolada; até mesmo profissionais experientes do setor têm encontrado dificuldades em navegar pela documentação oficial. Nota-se um descompasso estrutural, pois a gestão da documentação está sob a tutela da Associação Open Finance, cujo foco é garantir a conformidade regulatória, enquanto os desenvolvedores necessitam de orientações práticas que facilitem a implementação.

Ademais, este cenário complexo também fomentou a criação de um mercado secundário de consultorias especializadas. Muitas empresas que desejam se instalar neste ecossistema muitas vezes precisam se utilizar de serviços externos para decifrar a complexidade envolvida, o que, embora ofereça uma solução, perpetua a barreira de entrada.

O Banco Central ressalta que a maior prioridade atual é transformar conhecimento em prática. Apesar da consciência crescente sobre o Open Finance, como comprovado por pesquisas que indicam 76,8% de familiaridade entre os brasileiros, somente 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados, indicando que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Diante desse cenário, surge a necessidade de iniciativas que tornem a entrada no universo do Open Finance mais acessível. Nesse sentido, o projeto Open Finance Playground foi criado. Trata-se de uma documentação colaborativa destinada a desenvolvedores, que visa simplificar a complexidade do ecossistema por meio de guias práticos e diretos.

Esse “Playground” é um convite à colaboração e ao compartilhamento de experiências de implementação, mantendo-se aberto a contribuições de todos os participantes do mercado. O esforço representa a busca por um ambiente onde a colaboração, que deu origem ao Open Finance, possa se reerguer, garantindo que novos construtores possam acessar e usar as ferramentas disponíveis com mais agilidade e eficiência. Assim, o Brasil poderá consolidar sua posição de destaque no cenário global, promovendo um ecossistema financeiro mais inclusivo e inovador.

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