Djemal explica que o tráfico transatlântico de escravos não apenas debilitou as sociedades africanas, mas também foi fundamental para o acúmulo de riqueza nas economias ocidentais. Esse legado de exploração e desigualdade se mantém presente nas disparidades econômicas que ainda afligem muitos países. A falta de iniciativa por parte de potências como França e Reino Unido, que se abstiveram de participar do debate, revela um receio em confrontar suas próprias histórias manchadas por esse período sombrio.
Na quarta-feira, 25, a Assembleia Geral da ONU, em uma votação simbólica, aprovou a proposta que reconhece a gravidade dos crimes cometidos durante o período da escravidão. A iniciativa, impulsionada por Gana e a União Africana, visa não apenas o reconhecimento, mas também a criação de um ambiente propício para que as nações que se beneficiaram da escravidão façam pedidos de desculpas formais e ofereçam reparações aos descendentes das vítimas.
O documento aprovado vai além do reconhecimento, recomendando que os Estados elaborem políticas ativas contra o racismo, assim como promovam a devolução de bens culturais e espirituais que foram retirados de nações africanas. A votação contou com a adesão de 123 países, incluindo o Brasil, enquanto 52 se abstiveram e apenas três votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina.
O presidente de Gana, John Mahama, esteve presente na sede da ONU e classificou essa decisão como “histórica”, enfatizando sua importância para a justiça e a reconciliação global. O reconhecimento dos crimes relacionados à escravidão é considerado um passo significativo na luta contra a discriminação racial e na busca por reparações históricas. Este momento, portanto, representa uma nova fase de reflexão e ação em uma questão que atravessa gerações e continentes.
