A proposta, liderada por Gana e endossada pela União Africana, visa que as nações que se beneficiaram da escravidão façam uma reflexão sobre seu passado e, idealmente, peçam desculpas publicamente. Além disso, busca que esses países contribuam para iniciativas de reparação aos descendentes das vítimas, promovendo políticas que enfrentem o racismo e façam a restituição de bens culturais e espirituais saqueados do continente africano.
O presidente de Gana, John Mahama, presente na sede da ONU, classificou a aprovação da resolução como um marco histórico, ressaltando a importância de reconhecer e abordar a herança da escravidão. O Brasil, que foi o principal destino do tráfico transatlântico com cerca de 5 milhões de escravizados entre os séculos XVI e XIX, participou da votação como copatrocinador, mesmo não figurando entre os patrocinadores iniciais da proposta.
Mahama também usou sua ocasião para criticar a atual abordagem educacional nos Estados Unidos, que, segundo ele, está gradualmente minimizando a discussão sobre a escravidão e seus impactos. Nesse contexto, os Estados Unidos justificaram sua rejeição à mudança alegando que o texto era “altamente problemático” e propunha uma “competição entre crimes”, uma argumentação que não foi compartilhada por uma grande parte dos demais países.
O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto, contestou a oposição, afirmando: “Não estamos hierarquizando o sofrimento. O que estamos dizendo é que, quando se observa todas as atrocidades que ocorreram, nenhuma foi tão sistêmica e duradoura como a escravidão, com consequências que reverberam até hoje.”
Essa decisão da ONU é um passo decisivo para reconhecer as injustiças históricas e possivelmente reorientar políticas para promover uma reparação mais justa e inclusiva em escala global.






