Nesta votação, três países se mostraram contrários à resolução: Estados Unidos, Israel e Argentina, enquanto diversas potências como Reino Unido, França e Alemanha optaram pela abstenção. O professor Sur destacou que as resoluções da ONU possuem um peso legal significativo, contribuindo para o establishment do Estado de Direito e moldando a opinião pública internacional sobre a escravidão.
A adoção dessa resolução não apenas redefine normas diplomáticas, mas também pode provocar um aumento nas reivindicações legais relacionadas às consequências do comércio transatlântico de escravizados. Surge, assim, uma nova ferramenta para os países que buscam justiça histórica, estabelecendo um desafio ao consenso ocidental que frequentemente tenta minimizar as discussões sobre reparações e compensações sociais.
O especialista adverte, no entanto, que não se deve esperar ações rápidas por parte dos países ocidentais em relação a compensações financeiras pelos danos causados. Ele frisa que o conceito de reparação não deve se restringir a transferências monetárias individuais, mas poderia incluir amplo perdão de dívidas, apoio internacional em saúde e educação para as regiões mais afetadas, além da restituição de artefatos históricos exilados em museus europeus.
Em suma, a nova resolução marca um novo capítulo na luta pelo reconhecimento dos erros do passado e, simbolicamente, fortalece a posição dos países do Sul Global na arena internacional, reintegrando suas vozes e narrativas em uma discussão frequentemente dominada pelas potências ocidentais. O futuro, portanto, promete um cenário de litigação e reavaliação das relações históricas e econômicas em um mundo cada vez mais interconectado.






