Lançada em setembro de 2025, a Plataforma do Respeito é a realização de uma parceria entre a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, e a Aliança Nacional LGBTI+, uma organização com sede em Curitiba. O sistema emprega tecnologia de inteligência artificial para identificar publicações potencialmente discriminatórias. Quando encontra material que considera inaceitável, a plataforma encaminha essas postagens ao Ministério Público, com a intenção de responsabilizar judicialmente os autores.
A emenda de R$ 300 mil destinada por Erika Hilton à Aliança Nacional LGBTI+ foi originalmente voltada para o combate à desinformação e ao monitoramento de fake news que atingem a comunidade LGBTI+ no Paraná. Entretanto, a Matria classifica o projeto como um instrumento de perseguição política. Segundo a ONG, a utilização de recursos públicos para manter uma ferramenta que, segundo eles, promove a vigilância sobre discursos e intimida vozes divergentes é inaceitável.
Em sua petição, Matria acusa a Plataforma do Respeito de desempenhar uma função antivocacional, apontando para uma postagem específica em que criticas foram dirigidas a uma declaração de uma porta-voz da ONG. A plataforma caracterizou as falas como “transfóbicas e falaciosas”, disparando uma série de críticas e ofensas em sua publicação. A ONG, por sua vez, afirma que os recursos públicos deveriam ser utilizados de forma a promover o interesse coletivo, e não para financiar campanhas de desqualificação dirigidas a adversários políticos.
Diante da gravidade das acusações, a Matria pede que a Justiça encerre o termo de fomento que liga a União à Aliança Nacional LGBTI+, além de solicitar uma multa de R$ 10 mil por dia no caso de descumprimento. A controvérsia envolvendo a Plataforma do Respeito e Erika Hilton é emblemática, refletindo um ambiente político em que temas como direitos LGBTQIA+ e liberdade de expressão entram, frequentemente, em colisão. Recentemente, Hilton enfrentou derrotas judiciais relacionadas a casos de transfobia, ressaltando ainda mais as tensões que permeiam essa discussão.
