Durante a análise das contas referentes a 2024, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, em março deste ano, constatou que a ONG realizou um pagamento em duplicidade no valor de quase R$ 925 mil, além de um pagamento adicional de R$ 752 que não deveria ter sido feito. Também foi identificada a utilização de recursos públicos para cobrir tarifas bancárias, o que contraria as diretrizes estabelecidas para a utilização desses fundos.
Após a análise detalhada das notas fiscais apresentadas, a secretaria fez uma observação alarmante: a ONG figurava como prestadora de serviços e tomadora dos mesmos em nota fiscal, indicando uma falta de transparência em suas operações. Embora tenham existido devoluções parciais de valores ao longo de 2024, até 26 de fevereiro de 2026, a ONG ainda apresentava pendências significativas.
Karina Ferreira se defendeu informando que a sociedade civil foi orientada pela própria secretaria a corrigir seus procedimentos de emissão de notas fiscais, afirmando que essa prática inicial foi adotada apenas para ressarcimento. Ela também atribuiu a duplicidade de pagamentos a um erro operacional de sua contratada, a Ultra IP Tecnologia, e garantiu que assim que a falha foi percebida, a empresa foi notificada para restituir os valores.
A Prefeitura apoiou a continuidade da prestação de contas, mas condicionou a aprovação à restituição integral dos montantes devidos. É importante ressaltar que o contrato com a ONG começou a ser executado em junho de 2024 e que a implementação do projeto de Wi-Fi está em andamento, com 3.200 pontos já estabelecidos, contabilizando 760 milhões de acessos.
Entretanto, a situação atraiu a atenção do Ministério Público, que abriu investigações adicionais sobre o empreendimento. A promotores detectaram diversas irregularidades, incluindo indícios de falta de capacidade da ONG para conduzir o projeto, recebimento inadequado de quantias substanciais sem prestação efetiva de serviços, e a ausência de concorrência adequada na licitação. Agora, a investigação está em mãos da Polícia Civil, que poderá levar a vụ processos criminais.
O caso destaca a necessidade de maior vigilância sobre contratos públicos e aponta para possíveis falhas na fiscalização de serviços públicos prestados por organizações do terceiro setor.
