As anãs brancas são remanescentes ultradensos de estrelas que, após esgotarem seu combustível nuclear, colapsam. Embora tenham dimensões semelhantes às da Terra, podem conter até 1,4 vezes a massa solar, sendo sua gravidade extremamente alta. Em sistemas binários, estas estrelas frequentemente atraem material de suas companheiras, provocando intensas reações, como erupções termonucleares. Contudo, o caso de RXJ0528+2838 se distingue, pois não possui um disco de acreção típico, embora tenha uma estrela companheira de baixa massa.
O que intrigou os pesquisadores foi a detecção de uma onda de choque rica em hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, que aponta para uma atividade persistente no sistema ao longo dos últimos mil anos. Este fluxo de material é inesperado, dado que oscilações rápidas, típicas de explosões termonucleares, não se aplicam aqui. Os cientistas sugerem que o intenso campo magnético da anã branca pode estar desviando material da estrela vizinha diretamente para sua superfície, evitando assim a formação do disco de acreção. Esse fenômeno indicaria a existência de processos físicos ainda não totalmente compreendidos, que atuam nessas estrelas mortas.
A descoberta instiga novos questionamentos sobre a dinâmica das anãs brancas magnetizadas e sugere que a ejeção de material sem o auxílio de um disco pode ser um fenômeno mais comum do que se pensava. Ao desafiar o entendimento atual, este caso ressalta a necessidade de revisitar os modelos existentes que tentam descrever a evolução e o comportamento dessas estrelas, abrindo novos caminhos para a pesquisa em astrofísica e astronomia. Essa descoberta promete transformar o conhecimento sobre sistemas estelares binários, levando a novas investigações sobre a interação entre matéria e campos magnéticos em situações extremas.
