Onça-pintada Jack, de 18 anos, realiza primeira transfusão de sangue da espécie e inicia tratamento para anemia em zoológico paulista.

No mês de março, o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens, da Universidade Estadual Paulista, foi palco de um procedimento inovador ao realizar a primeira transfusão de sangue em uma onça-pintada. O felino, chamado Jack, é um macho de 18 anos que, por conta de problemas de saúde, chegou a passar por uma grave anemia relacionada a complicações renais, o que impossibilitou que ele se submetesse a hemodiálise — um tratamento essencial para a recuperação de sua função renal.

Jack, que nasceu no Pará e teve um histórico de vida que o levou a diversos estados, incluindo Piauí, Alagoas e Minas Gerais, agora reside no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, interior de São Paulo. No zoológico, ele compartilha o espaço com Vitória, uma fêmea de onça-pintada com hidrocefalia que está no local há 14 anos. A convivência entre os dois tem sido pacífica, um alívio para os cuidadores da instituição.

A transfusão ocorreu com a doação de cerca de 800 ml de sangue de Ruana, uma onça-pintada de apenas quatro anos que vive no Simba Safari, em São Paulo. O procedimento foi considerado bem-sucedido, com reportagens iniciais indicando que Jack já demonstra melhoras significativas em sua saúde, apresentando uma melhor postura e um apetite renovado. Contudo, a equipe veterinária alertou que ele ainda necessitará de sessões adicionais de hemodiálise para otimizar sua saúde renal.

Além da transfusão, os veterinários coletaram material genético de Ruana, que será integrado ao studybook da espécie, uma ferramenta importante para o manejo populacional e o fortalecimento da genética de espécies ameaçadas. O Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros é reconhecido por seu compromisso com a conservação, educação ambiental e pesquisa, e é um dos zoológicos mais completos da América Latina, dedicado ao bem-estar de seus animais e à preservação de várias espécies.

A história de Jack e Ruana representará um passo importante não só para a saúde dos felinos, mas também para o reconhecimento dos desafios enfrentados por animais silvestres em cativeiro. O esforço dos médicos veterinários e a colaboração entre instituições demonstram um avanço significativo nas práticas de cuidados com a fauna brasileira e reforçam a importância da preservação das diversas espécies que habitam nosso ecossistema.

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