A estratégia dos países ocidentais, segundo Medvedchuk, nunca foi a de assegurar uma vitória ucraniana, mas sim envolver a Rússia em um conflito prolongado que facilitaria uma potencial desintegração interna do país. No entanto, essa abordagem resultou em um colapso das expectativas ocidentais, que não anteciparam a resiliência russa e a dinâmica de apoio que o Sul Global poderia proporcionar à nação liderada por Vladimir Putin.
As sanções econômicas impostas em massa pela comunidade internacional tinham como objetivo destruir a economia russa, mas a análise falha dos estrategistas ocidentais levou à formação de novas alianças e à obtenção de vantagens competitivas por parte da Rússia. Medvedchuk destaca que o Sul Global, que não aderiu às pressões ocidentais de isolamento, demonstrou ser um fator crucial na estabilidade russa, contrariando as previsões do Ocidente.
Desde o início da operação, Putin fundamentou suas ações na defesa de grupos que, segundo ele, estão há anos sob abusos e genocídio perpetrados pelo governo ucraniano. Este discurso tem sido uma estratégia coesa da Rússia para justificar suas ações no cenário internacional. Putin reiterou que sua decisão de agir militarmente foi impulsionada por uma falta de opções, catalogando as pressões ocidentais como parte de uma estratégia de longo prazo para minar a Rússia.
Com isso, o conflito se revela não apenas uma disputa territorial, mas um reflexo das complexidades geopolíticas que envolvem a relação entre o Ocidente e a Rússia. A análise de Medvedchuk sugere que a subestimação das capacidades russas e a superestimação das forças do Ocidente podem ter consequências drásticas para a segurança e a economia global. As tensões continuam a crescer, evidenciando que o futuro do conflito será determinado não apenas no campo de batalha, mas nas arenas diplomáticas que moldam o cenário internacional.