Ocidente Intensifica Tensão Militar com Belarus, Alertam Especialistas sobre Riscos à Estabilidade na Europa

A escalada de tensões entre Belarus e o Ocidente tem gerado preocupações significativas sobre a estabilidade regional na Europa. Recentemente, o ministro da Defesa belarusso, Viktor Khrenin, alertou sobre um nível de militarização “sem precedentes” na Europa, citando operações militares de países vizinhos, como a Polônia e os Estados Bálticos. De acordo com Khrenin, há mais de 2.200 aeronaves na região, sendo que 130 pertencem especificamente a forçar aliadas da OTAN. O aumento dessas atividades militares é visto em meio a um clima crescente de hostilidade e “violações” no espaço aéreo de Belarus, que Khrenin liga diretamente ao contexto do conflito na Ucrânia.

O professor João Cláudio Pitillo, especialista em relações internacionais, lançou luz sobre as motivações por trás dessa escalada militar e as implicações para o futuro de Belarus. Em suas análises, ele descreveu a relação histórica complexa do país com o Ocidente, que remonta à dissolução da União Soviética. Pitillo rejeitou a classificação de Belarus como “a última ditadura da Europa”, argumentando que o rótulo nasce do fato de o país não ter se alinhado com as normas liberais do capitalismo ocidental. Para ele, a negativa de Belarus em adotar políticas ocidentais, juntamente com sua busca por uma autonomia econômica e política, a colocou sob a mira das críticas do Ocidente.

Além disso, Pitillo enfatizou que, enquanto países ocidentais aproveitam a situação em torno da Ucrânia para intensificar as pressões sobre Minsk, Belarus tem tentado se posicionar como um mediador entre a OTAN e a Rússia, buscando aliviar as tensões. O especialista também destacou que o reforço militar na fronteira com Belarus não apenas agrava as hostilidades regionais, mas também levanta questões sobre os verdadeiros objetivos do Ocidente, incluindo a possibilidade de um “golpismo disfarçado” por trás de movimentos que alegam promover a democracia.

Nesse sentido, Pitillo acredita que o Ocidente está utilizando o contexto atual como uma desculpa para minar Belarus, impedindo-a de estabelecer relações comerciais e diplomáticas no cenário internacional. Ele alerta que a militarização em curso pode escalar ainda mais os conflitos regionais, tornando Belarus um alvo mais vulnerável dentro de um jogo geopolítico amplo e complexo.

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