OCDE encerra denúncia sobre glifosato da Bayer, questionando sua eficácia na proteção dos direitos humanos e ambientais na América do Sul. Críticas aumentam.

Crítica à Ineficiência da OCDE em Casos de Violação Ambiental

Recentemente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tomou uma decisão controversa ao encerrar uma investigação sobre os impactos do glifosato, um agrotóxico amplamente utilizado, fabricado pela Bayer. O caso, que envolveu denúncias de contaminação de água e alimentos, desmatamento e efeitos nocivos à saúde em países da América do Sul, foi apresentado por uma coalizão de organizações sociais e ambientais da Argentina, Brasil, Bolívia e Paraguai, e de entidades alemãs.

O documento, elaborado em abril de 2024, detalhava uma série de impactos ambientais e sociais provocados pelo uso do herbicida. Entretanto, após um ano de análise, o Ponto de Contato Nacional (PCN) da OCDE na Alemanha decidiu encerrar a denúncia, alegando a falta de evidências que vinculassem o glifosato aos efeitos citados. A decisão foi recebida com descontentamento por parte das organizações que, entre outras críticas, destacaram a condução inadequada do processo por parte da OCDE, que teria elevado as exigências probatórias além do razoável.

Jaqueline Andrade, assessora jurídica da organização Terra de Direitos, argumenta que a metodologia da OCDE na fase inicial de admissibilidade da denúncia deveria levar em conta a plausibilidade das alegações, em vez de exigir comprovações definitivas. “A análise precisaria considerar a ampla gama de evidências de contaminação, como níveis de glifosato na urina de crianças e problemas de saúde associados”, afirma.

A decisão da OCDE também gerou um reinício do debate acerca da eficácia dos mecanismos internacionais para responsabilizar empresas multinacionais por violações de direitos humanos e danos ambientais. A análise crítica sugere que as normas não-vinculativas da OCDE não são suficientes para garantir proteção aos direitos das comunidades afetadas, ampliando a distância entre esses grupos e as enormes corporações.

Além disso, o especialista em geopolítica Hugo Albuquerque ressalta que muitos agrotóxicos que são banidos na Europa continuam sendo utilizados na América Latina, incluindo o Brasil, porque as legislações locais são mais permissivas. No Brasil, o programa nacional para redução do uso de agrotóxicos, implementado em 2025, é visto como um passo positivo, mas enfrenta desafios significativos devido à liberação constante de novas variedades de produtos químicos.

Andrade enfatiza a necessidade de um fortalecimento nas legislações nacionais e investimento em práticas agrícolas sustentáveis, como a agroecologia, abordando que “é fundamental aumentar o apoio financeiro e técnico à agroecologia para transformações reais na produção de alimentos”.

Em conclusão, a situação revela não apenas uma ineficácia crítica nos mecanismos internacionais de supervisão e regulamentação, mas também destaca a urgência de uma reavaliação das políticas agrícolas em países que ainda dependem de práticas insustentáveis e prejudiciais ao meio ambiente e à saúde da população.

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