Crise na Maternidade do Hospital da Cidade em Maceió: Obstetras Pedem Desligamento Coletivo
A Maternidade do Hospital da Cidade, localizada em Maceió, enfrenta uma séria crise após os obstetras que atuam na unidade decidirem solicitar um desligamento coletivo. Essa medida extrema foi provocada pela proposta de redução dos valores dos plantões, proposta que desagradou os médicos.
De acordo com informações obtidas, a maternidade realiza entre 200 e 270 partos mensalmente, com a colaboração de cerca de 40 obstetras, conforme apurado por representantes do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL). Recentemente, um edital para formalização contratual foi publicado, que sugeria não apenas a diminuição do quadro de plantonistas, mas também uma redução significativa na remuneração dos profissionais.
Os médicos comunicaram oficialmente o pedido de desligamento na última quarta-feira (1º de outubro), com o efeito a partir do dia 12 do mesmo mês. A decisão foi tomada em resposta direta a uma alteração no edital que acompanhava a gestão da Maceió Saúde, a empresa responsável pelo hospital, que propunha este corte salarial.
A presidente do Sinmed, Sílvia Melo, expressou sua indignação em relação à proposta, ressaltando que os obstetras atuam em situações de risco elevado e que, portanto, sua remuneração deve refletir essa responsabilidade. Melo enfatizou que a alteração nas condições de trabalho infringe a dignidade profissional dos médicos, especialmente daqueles contratados como Pessoas Jurídicas, que já enfrentam desafios em relação a garantias trabalhistas.
A presidente ainda destacou a importância de garantir a segurança de mães e recém-nascidos, afirmando que ajustes orçamentários não podem comprometer a qualidade do atendimento. Sua declaração finalizou enfatizando que a batalha por valorização profissional é essencial para assegurar um serviço de saúde de qualidade à população alagoana.
Em resposta, a Maceió Saúde divulgou uma nota informando que o edital de chamamento foi amplamente divulgado e que as condições, mesmo após o reajuste, estão entre as mais competitivas do mercado local. A gestão afirmou que não houve demissões e que se mantém aberta ao diálogo com o Sinmed.
A situação em Maceió levanta questões importantes sobre a valorização do trabalho médico e a manutenção dos serviços de saúde em um momento em que a demanda por atendimentos obstétricos é alta. A continuidade das atividades na maternidade permanece em questão, e a esperança é que um acordo seja alcançado antes que os impactos sobre a comunidade se tornem irreversíveis.





