Os relatos dos moradores refletem um sentimento de decepção. Um deles expressou sua frustração ao dizer: “Rapaz, eu pensei que ia poder pescar aqui, tomar banho… mas olha como tá isso aqui.” Enquanto a área revitalizada ostenta melhorias visuais que foram até aproveitadas para ensaios fotográficos, a realidade é bem diferente. O riacho, ao que tudo indica, permanece com um odor forte e um aspecto que torna inviável qualquer atividade recreativa que se esperava promover naquela localidade.
A interrogação que permeia as conversas nos arredores é se o que foi realizado se configura como um trabalho genuinamente ambiental ou apenas um esforço de urbanização superficial. As promessas de uma recuperação efetiva do riacho, que incluiriam despoluição, tratamento de esgoto e melhoria da qualidade da água, contrastam com a realidade observada. Embora a obra tenha um forte apelo estético, os moradores apontam que a solução estrutural dos problemas que afligem a região ainda é uma miragem.
O Salgadinho, que historicamente sofre com o despejo de esgoto e resíduos, continua a ser um dos principais desafios para a capital alagoana. O retorno à tona das críticas, especialmente após a divulgação de um vídeo que comprova a situação atual da área, levanta um questionamento importante: intervenções focadas apenas na estética urbana, sem os fundamentos necessários de saneamento, podem realmente ser classificadas como intervenções ambientais?
Para aqueles que aguardavam uma transformação significativa no Salgadinho, a realidade apresentada até o momento se traduz em frustração e um sentimento profundo de promessas não cumpridas, evidenciando a necessidade urgente de ações mais contundentes e efetivas na luta contra os problemas ambientais da região.
