Nubank registra lucro de US$ 1,06 bilhão no 2T26, impulsionado por programa de renegociação de dívidas do governo, mas inadimplência permanece elevada.

No segundo trimestre de 2026, o Nubank apresentou resultados financeiros que superaram as expectativas do mercado, alcançando um lucro líquido de 1,06 bilhão de dólares e um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 33%, o que representa um crescimento de 22% em relação ao trimestre anterior e 67% em comparação ao mesmo período do ano passado. Embora esses números tenham gerado otimismo entre os investidores, com as ações subindo no período de negociação após o fechamento da bolsa nos Estados Unidos, uma análise mais detalhada revela que a maior parte desse resultado não se deve somente ao desempenho da fintech, mas está ligada a políticas públicas implementadas pelo governo.

O programa federal “Desenrola”, que visa a renegociação de dívidas, teve um impacto significativo nos números do banco, contribuindo com cerca de 5% do custo do crédito no trimestre, o que se traduziu em valores entre 80 e 90 milhões de dólares. Sem essa contribuição, o lucro teria despencado para uma faixa entre 1,01 bilhão e 1,015 bilhão de dólares, o que demonstra a dependência do Nubank de medidas governamentais para sustentar seu resultado financeiro.

A inadimplência, outro indicador-chave, encerrou o trimestre em 6,9%, evidenciando um aumento preocupante de 40 pontos-base, próximo ao pico esperado para 2024. A fintech precisou ajustar suas práticas de concessão de crédito para lidar com esse cenário. Apesar de um leve alívio na inadimplência entre 15 e 90 dias, o aumento na inadimplência acima de 90 dias sugere uma tendência que pode afetar a saúde financeira da empresa a longo prazo.

Por outro lado, as provisões para perdas diminuíram em 14% no trimestre, contribuindo para uma margem ajustada ao risco de 12,4%. Isso, no entanto, não esconde o aumento das despesas operacionais, que cresceram 20% para 806 milhões de dólares, refletindo um aumento dos custos que a empresa pode enfrentar nos próximos trimestres.

A carteira de crédito do Nubank alcançou 39,4 bilhões de dólares, com crescimento de 5% no trimestre e 37% no comparativo anual. Embora os números sejam robustos, a empresa encontra limitações na sua capacidade de expandir sem ajustes nos juros. No entanto, a instituição continua atraindo novos clientes, somando 3,7 milhões no trimestre e alcançando 138,9 milhões de usuários, com uma taxa de atividade mensal que superou 86% pela primeira vez.

As perspectivas futuras do Nubank incluem a expansão no México e a estabilização do crescimento de cartão de crédito, com ênfase na construção de uma marca sólida na região. A empresa também está de olho no potencial de produtos de crédito associados a contas de folha de pagamento. Apesar dos desafios, a recomendação de compra para as ações do Nubank permanece forte, com os analistas apontando que a continuidade do crescimento e a gestão da inadimplência serão cruciais, especialmente em um cenário sem o suporte de iniciativas governamentais. O futuro do Nubank dependerá, em grande parte, da sua capacidade de manter a eficiência e a satisfação do cliente enquanto navega por um ambiente econômico desafiador.

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