Nubank enfrenta queda de 10% em ações após inesperada saída de CFO, elevando crise de confiança e impactando desempenho na NYSE.

As ações da Nu Holdings, controladora do Nubank, enfrentaram uma queda significativa na Bolsa de Nova York, acumulando uma desvalorização superior a 10% em apenas dois dias. No dia 3 de junho, os papéis fecharam cotados a US$ 11,64, apresentando uma baixa de 1,94%. No dia anterior, a situação era ainda mais crítica, com uma queda de 8,1%, atingindo o menor valor em um ano, após um momento em que as ações chegaram a desabar 11% durante as negociações. Em termos de impacto ao longo do ano, a companhia já registra uma desvalorização de 33,26%.

O principal fator que precipitou essa turbulência no mercado foi a inesperada saída de Guilherme Lago, o diretor financeiro da empresa, após cinco anos de mandato. A notícia, divulgada na noite de 1º de junho, surpreendeu muitos investidores e gerou um aumento considerável no volume de mensagens entre os stakeholders do Nubank. O novo CFO, Rob Livingston, que se junta à empresa vindo da Visa, assumirá o cargo em 13 de julho, e haverá também a criação de um CFO específico para a operação no Brasil, uma função que até então era acumulada por Lago.

Contudo, a crise de confiança que afeta o Nubank não se limitou a esse incidente isolado. O ambiente de crédito no Brasil apresenta desafios crescentes, com um aumento na inadimplência que tem gerado preocupações quanto à expansão acelerada do banco para mercados como México, Colômbia e Estados Unidos. A mudança na liderança financeira ocorreu em um momento crítico, intensificando as dúvidas sobre a eficácia das estratégias de crescimento da empresa.

Adicionalmente, a instabilidade na alta direção da companhia é um fator que não pode ser ignorado. Nos últimos dois anos, mais de quatro executivos seniores deixaram seus cargos, incluindo o COO, o diretor de produto e o CTO. Essa rotatividade parece ter gerado um impacto significativo nas percepções dos investidores, que agora avaliam a coesão e a confiança da equipe de gestão.

Em meio a esse cenário de incertezas, diversos bancos de investimento estão reavaliando suas recomendações sobre as ações do Nubank. O Bank of America foi o primeiro a classificar os papéis como “venda”, reduzindo seu preço-alvo de US$ 16 para US$ 10 e destacando a saída de Lago como uma “surpresa negativa”. Por sua vez, o Santander optou por retirar o Nubank de suas ações preferenciais, citando a importância de Lago no que tange à disciplina financeira da empresa.

Em contraste, o BTG Pactual manteve sua recomendação de compra, mas removeu as ações do Nubank de sua carteira recomendada, sugerindo que a empresa precisaria de mais tempo para recuperar a confiança dos investidores. O fundador e CEO, David Vélez, permanece otimista quanto ao futuro estratégico da companhia, enquanto Lago expressou sua continuidade na participação acionária da fintech. Entretanto, a atenção do mercado se volta para os desafios que ainda precisam ser superados para que o Nubank restaure sua imagem diante dos investidores.

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