Diferentemente das regiões subtropicais do sul, onde a extração geralmente depende de depósitos de argila e envolve processos químicos agressivos, as novas formações no norte têm origem na fragmentação natural de rochas, evidenciada por ciclos de congelamento e descongelamento. Esse fenômeno geológico leva à formação de sedimentos soltos, como areia e cascalho, que tornam a extração mais simples e eficiente. De acordo com especialistas da Academia Chinesa de Ciências e do Departamento de Geologia de Heilongjiang, essa característica pode resultar em uma mineração não apenas mais econômica, mas também menos prejudicial ao meio ambiente, já que evita a lixiviação que, no modelo tradicional, muitas vezes deixa uma parte significativa dos minerais sem aproveitamento.
Com a China já respondendo por aproximadamente 90% do processamento de terras raras em todo o mundo, a descoberta não poderia ocorrer em um momento mais estratégico. Elementos raros são fundamentais para a fabricação de eletrônicos, ímãs de alto desempenho, tecnologias sustentáveis e até mesmo aplicações militares. A nova formação em Heilongjiang e Jilin não só reforça a posição dominante da China nesse mercado, mas também fornece uma alternativa viável para países que buscam reduzir a dependência de fornecedores externos.
Os analistas ressaltam que a distribuição das terras raras na China não segue o esperado para rochas como os granitos alcalinos. Enquanto o sul é rico em elementos pesados, o norte, com áreas como a mina de Bayan Obo, tem se destacado pela abundância de elementos leves. No entanto, os depósitos recentemente identificados apresentam uma combinação notável de ambos os grupos, oferecendo novas oportunidades para a exploração mineral.
Minerais como monazita e xenotima, o último considerado uma fonte crucial de ítrio, aparecem dispersos em sedimentos soltos, resultado da desagregação de rochas graníticas a longo prazo. As amostras coletadas revelam uma variação local nas concentrações dos elementos, com algumas áreas ricas em lantânio, cério e neodímio, enquanto outras mostram uma concentração elevada de elementos pesados.
Esses depósitos, definidos como de dissociação mineral, foram identificados como exibindo concentrações totais que superam as encontradas nos depósitos de argila no sul do país. O enriquecimento em elementos leves é particularmente notável, com Jilin apresentando altos valores de elementos pesados. Essa descoberta não só expande o conhecimento sobre os recursos naturais disponíveis, como também sublinha a importância industrial e estratégica das novas formações no panorama da mineração de terras raras na China, com potencial para reconfigurar o setor.





