Novo Presidente da Cedae Implementa Cortes Orçamentários Rigorosos para Evitar Crise Financeira em 2027

Em um cenário de crise financeira, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) está sob nova administração. O procurador do estado, Rafael Rolim, assumiu o comando da estatal em 16 de abril e já está implementando medidas drásticas para evitar que a companhia entre em colapso até 2027. A primeira grande decisão do presidente foi cortar 25% do orçamento destinado a contratos de obras e serviços, o que representa aproximadamente R$ 500 milhões. Esse corte pode chegar a 35% nos próximos dias. Além disso, Rolim também planeja uma economia de R$ 5 milhões anualmente com a redução de comissionados e terceirizados.

Enfrentando um déficit crescente, Rolim explicou que a disparidade entre o orçamento e a realidade financeira da empresa exige uma reformulação imediata na gestão. “Estamos gastando mais do que arrecadamos”, afirmou o presidente, enfatizando a urgência das mudanças.

Para apoiar esse trabalho, uma auditoria está em andamento, avaliando contratos firmados nos 12 meses anteriores à sua gestão. Esses acordos, que totalizam cerca de R$ 1 bilhão, foram realizados sem licitação ou por meio de dispensas, colocando em questão a gestão anterior da companhia. Outra auditoria está examinando as aplicações financeiras da Cedae, que totalizam R$ 2,2 bilhões, incluindo mais de R$ 200 milhões investidos em um banco que foi liquidado extrajudicialmente devido a irregularidades administrativas.

Rolim não hesitou em afirmar que a nova gestão trabalhará com uma abordagem mais conservadora em relação aos investimentos. “Mudamos nossa política de aplicações para mitigar riscos”, disse ele, detalhando que essa nova postura foi necessária após a recente aquisição de papéis de um banco problemático.

Além disso, Rolim está lidando com implicações de acordos feitos pela administração anterior, como um que prejudicou os preços da água e esgoto a serem pagos pelo consumidor. Uma liminar suspendeu a cobrança da tarifa integral, e Rolim reclamou sobre a falta de responsabilidade da Cedae nos dados que fundamentaram o contrato de concessão.

No tocante aos cortes de gastos, a gestão atual não se limita a um corte linear; as áreas operacional, de Tecnologia da Informação e financeira serão visadas. Exemplos disso incluem a suspensão de contratos relacionados a monitoramento e à construção de obras, como o complexo de produção e distribuição de água potável em Nova Iguaçu.

A situação permanece delicada e, conforme as auditorias avançam, Rolim se prepara para possíveis irregularidades nos contratos que podem exigir uma intervenção judicial. “Se identificarmos problemas, não serão apenas controles corretivos; teremos que regularizar a situação”, alertou.

Por fim, o novo presidente também se depara com a necessidade de revisar o balanço financeiro de 2025, que apresentava inconsistências, e deverá ser entregue à Comissão de Valores Mobiliários com atraso. Rolim caracterizou os números anteriores como “ficção” e reafirmou seu compromisso em melhorar a situação financeira da empresa, instando todos os servidores da Cedae a serem vigilantes em relação às contas da companhia. Em um cenário desafiador, ele se mostrou esperançoso e determinado: “Não quero perseguir ninguém. Vamos virar esse jogo.”

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