“Novo Livro Revela Alianças da Direita: A Internacional Reacionária entre América Latina e Europa”

A Ascensão da Nova Direita: A Internacional Reacionária em Foco

O lançamento do livro “A Internacional Reacionária. Da América Latina à Europa: as redes da nova direita”, de Donato Di Santo, traz à tona um panorama intrigante sobre o surgimento e a articulação de grupos de direita em diferentes partes do mundo. Di Santo, que ocupou cargos importantes nas relações entre a Itália e a América Latina entre 1989 e 2006, analisa como os movimentos soberanistas têm se fortalecido sob a influência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com um prefácio assinado por Giuseppe Provenzano e um posfácio de Giovanni Salvi, a obra investiga como estruturas políticas e ideológicas, que parecem distantes geograficamente, se entrelaçam em uma tentativa de moldar a ordem mundial. Para o autor, o governo Trump é um símbolo do que ele denomina de “neoimperialismo”, caracterizado pela violação de normas internacionais e pela desestabilização de regimes considerados adversários, com o intuito de reforçar a hegemonia americana sobre a América Latina, reminiscente da antiga Doutrina Monroe.

Di Santo argumenta que há um crescimento de uma “internacional reacionária”, que conecta líderes de direita na Europa e na América Latina em um esforço coordenado. Personalidades como Javier Milei, do Argentina, José Antonio Kast, do Chile, e a dinastia Bolsonaro, do Brasil, são mencionadas como figuras centrais nesse movimento. O autor analisa como esses líderes se aproveitam das redes sociais, manipulando informações e discursos, para solidificar seu poder e ideologia, além de explorar as teorias de Antonio Gramsci em sua estratégia política.

A pesquisa de Di Santo revela o quanto a direita europeia – que varia de partidos conservadores, como o Partido Popular da Espanha e Força Itália, até expressões mais radicais como o Vox e o Irmãos da Itália – conseguiu criar laços com a América Latina. Essas iniciativas não são apenas acidentais, mas articuladas de forma sistemática, visando criar uma rede de apoio que fundamenta uma visão comum de “valores ocidentais”, ajustados às suas necessidades específicas.

Este fenômeno não apenas levanta questões sobre a resistência das forças progressistas, mas também apresenta um desafio crítico à própria essência da democracia. Com um histórico significativo na análise das relações entre a Itália e a América Latina, Di Santo oferece uma contribuição essencial para entender as complexas interações que estão reformulando a política contemporânea e, possivelmente, o futuro das democracias ao redor do mundo.

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