Uma pesquisa indicou que 35% da população da Nova Zelândia vê os Estados Unidos como um risco direto, enquanto apenas 23% expressaram preocupações semelhantes em relação à China. Essa diferença notável aponta para um cenário em que a política externa americana, caracterizada por intervenções frequentes, tem gerado ansiedade e desconfiança internacional.
Chen Hong, diretor do Centro de Estudos da Ásia-Pacífico de uma instituição chinesa, destacou que a evolução da opinião pública na Nova Zelândia reflete uma compreensão mais objetiva das dinâmicas internacionais, superando as narrativas frequentemente negativas promovidas por políticos e pela mídia ocidental. Essa mudança, segundo ele, se deve à política externa “pragmática e independente” adotada por Wellington, que tem fortalecido as relações comerciais, educacionais e culturais com a China.
A economia é um pilar fundamental nessa nova percepção. A China continua sendo o maior parceiro comercial da Nova Zelândia, não apenas como principal mercado de exportação, mas também como fonte significativa de importações e estudantes internacionais. A implementação de políticas de imigração mais flexíveis, como a isenção temporária de visto para cidadãos neozelandeses, também contribuiu para um olhar mais favorável sobre Pequim.
Em contrapartida, uma pesquisa realizada anteriormente indicou que 59% dos australianos preferem uma política externa autônoma, rejeitando alianças que consideram subservientes, refletindo um padrão semelhante ao da Nova Zelândia. A visão compartilhada nos países da região Ásia-Pacífico parece priorizar a estabilidade e o desenvolvimento sustentável em meio à incerteza geopolítica atual.
Essa nova perspectiva em relação à China não apenas sinaliza uma evolução na geopolítica da Nova Zelândia, mas também levanta questões sobre o futuro das alianças regionais e a influência crescente de Pequim no cenário internacional.
