Nova descoberta revela que vertebrados primitivos tinham quatro olhos, oferecendo novas perspectivas sobre a evolução da visão nos animais ao longo de 500 milhões de anos

Na fascinante trajetória evolutiva dos vertebrados, um novo estudo revela uma surpreendente característica de um antigo precursor: o primeiros vertebrados conhecidos possuíam não dois, mas quatro olhos. Essa descoberta, resultante da análise de fósseis com mais de 500 milhões de anos encontrados na China, sugere que a visão desses primitivos animais era bem mais sofisticada do que se imaginava.

A pesquisa foi conduzida por uma colaboração entre instituições chinesas e cientistas do Reino Unido. Os resultados, publicados em uma respeitada revista científica, mostram que as estruturas oculares desses fósseis apresentam semelhanças com olhos de vertebrados modernos, levantando questões fascinantes sobre a evolução dos sentidos. As características observadas nas cavidades oculares podem estar relacionadas ao complexo pineal de vertebrados atuais, que é fundamental para a percepção da luz e a regulação de ritmos biológicos por meio da melatonina, o hormônio do sono.

Os pesquisadores analisaram dez exemplares do grupo primitivo de peixes conhecidos como milokunmingídeos, que habitaram a Terra durante o Cambriano, um período crucial da Era Paleozoica. Investigações anteriores já haviam detectado estruturas na face desses animais, mas os cientistas presumiam que se tratavam de cavidades nasais. A nova pesquisa, porém, traz à luz a possibilidade de que essas estruturas sejam, de fato, olhos laterais, desafiando as concepções anteriores sobre a morfologia desse organismo.

Utilizando técnicas avançadas de microscopia eletrônica, a equipe conseguiu gerar imagens de alta resolução das partes do rosto dos milokunmingídeos. As análises revelaram a presença de duas estruturas ovais, que assemelham-se a lentes encontradas nos olhos laterais de peixes modernos, sugerindo que esses olhos possuíam a capacidade de formar imagens. Os autores da pesquisa destacam que a configuração e o tamanho dessas estruturas são indicativos de sua função como lentes oculares.

Essa descoberta é significativa, pois os olhos adicionais teriam proporcionado uma visão ampla e acessível aos animais, permitindo uma interação mais rica com o ambiente. Além de enriquecer nosso entendimento sobre a diversidade de adaptações sensoriais na evolução dos vertebrados, esses novos dados lançam luz sobre a complexidade do desenvolvimento visual ao longo das eras. Essa investigação não apenas nos brinda com um vislumbre sobre a origem da visão em vertebrados, mas também abre novas avenidas para a pesquisa evolutiva.

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