Nova datação revela que Homo erectus habitou a China há 1,77 milhão de anos, desafiando teorias sobre migrações humanas na região.

Recentes descobertas no sítio arqueológico de Yunxian, na China, trouxeram à luz informações intrigantes sobre a história da humanidade na região. Três crânios de Homo erectus, datados em aproximadamente 1,77 milhão de anos, desafiam estimativas anteriores e sugerem que esses ancestrais humanos chegaram ao leste asiático muito antes do que se acreditava.

A nova datação, que recua a presença do Homo erectus na China em cerca de 600 mil anos, foi obtida através de uma técnica inovadora de análise isotópica aplicada a grãos de quartzo. Essa abordagem distinta permitiu aos pesquisadores determinar melhor a idade dos fósseis, em contraste com métodos anteriores que baseavam suas análises em fósseis de animais e ressonância de spin eletrônico, resultando em idades mais recentes.

Os achados indicam que os primeiros hominídeos deixaram a África e se espalharam em direção à China central por volta de 2 milhões de anos atrás. Essa informação coloca o leste asiático na mesma linha de tempo dos primeiros movimentos migratórios conhecidos do Homo erectus, fazendo com que a história da evolução humana na região seja ainda mais complexa. Entretanto, persiste uma lacuna significativa no registro arqueológico: ferramentas de pedra encontradas em outras partes da China têm até 600 mil anos a mais do que os novos crânios, o que levanta questões sobre o tipo de hominídeo responsável por sua fabricação.

A discrepância entre as idades dos crânios e das ferramentas de pedra sugere um cenário mais dinâmico do que se imaginava, com diferentes grupos de hominídeos possivelmente coexistindo e se espalhando em momentos distintos. Isso desafia a noção simplista de um único fluxo migratório e indica que a história das migrações humanas é muito mais intrincada.

Os especialistas afirmam que mais escavações são essenciais para resolver essa complexa linha do tempo das migrações humanas. À medida que novas evidências aparecem, a arqueologia continua a reescrever os capítulos da nossa ancestralidade, e o que se pensava ser uma história clara de migrações agora se revela um quebra-cabeça multifacetado, onde novas peças estão sempre sendo adicionadas. O futuro das pesquisas nesse campo promete elucidar ainda mais os mistérios da presença humana em regiões tão cruciais como a Ásia Oriental.

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