O contexto dessa união se intensificou, conforme apontado por especialistas, devido à pressão crescente da administração dos Estados Unidos para expandir sua influência na região através da guerra ao narcotráfico. A recente tentativa de sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é um exemplo claro dessa interferência external. As ações dos EUA, que visam responsabilizar Maduro pelo tráfico de drogas, têm gerado divisões e desconfiança entre os países sul-americanos.
A nova coalizão, porém, não é apenas uma reação à política dos EUA. Ela emerge de um reconhecimento tardio de que o crime organizado não é apenas uma questão local, mas uma preocupação geopolítica que compromete a soberania do Estado. Essa transição, de tratar o crime como um desafio de segurança pública a entender sua capacidade de governar e influenciar mercados e instituições, exigiu que os países da região repensassem sua abordagem.
Para a pesquisadora Lívia Milani, a ausência de um alinhamento mais forte entre os países sul-americanos e o Brasil representa um grande obstáculo para a eficácia da coalizão. A especialista argumenta que o sucesso dessa parceria não deve ser medido apenas em número de prisões ou apreensões, mas sim na real capacidade de desmantelar as estruturas operacionais das organizações criminosas. Contudo, a adesão predominante à visão militarista dos EUA sobre o combate ao crime pode comprometer essa meta.
Expertos como Guilherme Frizzera acreditam que tal coalizão pode ser o início de um processo de colaboração mais ampla e autônoma na América do Sul, sugerindo que os países devem definir seus interesses em defesa de forma independente, evitando que influências externas moldem a segurança regional. Idealmente, a coalizão poderá permitir operações coordenadas e um intercâmbio efetivo de inteligência entre os países, mesmo que não se estabeleça uma aliança militar como a OTAN.
Com a transição do significado de segurança, a defesa deve ser vista como uma capacidade política de autodefinição, na qual os países sul-americanos possam identificar seus próprios problemas e buscar soluções, ao invés de se submeter a narrativas impostas por potências externas.
