Neonazismo na Música: Antropólogo Explica A Ascensão de Movimentos No Subúrbio de São Paulo e o Papel da Inteligência Artificial

Neonazismo na Música: Uma Realidade em Ascensão no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um fenômeno alarmante: a ascensão do neonazismo, que, além de suas práticas ideológicas e políticas, tem encontrado uma nova plataforma para se propagar na cultura popular, especialmente através da música. Esse movimento supremacista branco, que prega a superioridade da raça branca, utiliza a música como uma forma de mobilizar adeptos e veicular suas ideias extremistas.

O antropólogo Alexandre de Almeida destaca que um marco importante na cena do neonazismo musical brasileiro é a banda Locomotiva. Originária de Mauá, na região metropolitana de São Paulo, a banda surgiu em um contexto de repressão durante a ditadura militar. Embora não tenha gravado um disco, a Locomotiva se tornou notória por músicas como “Sangue e Raça”, que promovia a ideia de que a verdadeira identidade paulista transcende o simples fato de nascer em São Paulo, se referindo ao “sangue paulista” como um critério de pertencimento. Esse tipo de discurso ressoa com jovens de áreas periféricas que se sentem catapultados para um universo cultural marginalizado.

A luta contra esse tipo de extremismo não é simples. Em 2024, um relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos alertou a Organização das Nações Unidas sobre a expansão de grupos neonazistas em diversas regiões do Brasil, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essas são áreas que, historicamente, receberam grandes fluxos de imigração europeia, tornando-se terrenos férteis para a subcultura neonazista.

Para Almeida, a música é uma ferramenta metapolítica, usada para tocar corações e mentes antes de conquistar votos. O fenômeno da Inteligência Artificial exacerbou esse problema, com softwares capazes de gerar letras e melodias que rapidamente se espalham nas redes sociais, ampliando o alcance da mensagem extremista. Além disso, a democratização da produção musical permite que até mesmo indivíduos sem experiência na área criem conteúdo que promova este tipo de ideologia.

Os pesquisadores sugerem que, assim como na Alemanha nazista, a música e outras formas de expressão cultural estão sendo usadas para construir uma narrativa que legitima e normaliza ideias extremistas. O papel da cultura nesse processo é fundamental, permitindo que movimentos como o neonazismo ganhem novos adeptos e alcances mais amplos na sociedade.

Diante dessa realidade, a vigilância para coibir a disseminação de ideologias de ódio na música e em outras manifestações artísticas torna-se cada vez mais necessária, principalmente em um mundo onde a cultura é uma ferramenta poderosa de mobilização social.

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