Segundo Baghaei, as rodadas anteriores de diálogo concentraram-se essencialmente na questão nuclear. Contudo, o atual clima de conflito entre os países torna essa abordagem inviável. O porta-voz enfatizou que a prioridade agora é “encerrar o conflito de uma forma que atenda aos interesses de Teerã”, sublinhando que a agenda das negociações poderá ser ajustada conforme a evolução da crise.
Entre os interesses do Irã, Baghaei citou algumas demandas cruciais, incluindo o alívio de sanções econômicas, compensações por danos e garantias de não agressão. Tais elementos são considerados indispensáveis para um eventual acordo, refletindo a carga de desconfianças acumuladas ao longo dos anos nas relações entre os dois países.
Além disso, Baghaei criticou o que chamou de “narrativa recorrente” sobre o programa nuclear do Irã, sugerindo que há mais de duas décadas essa questão tem sido utilizada como uma forma de pressão sobre o país. Ele destacou ainda o histórico sensível relacionado a Israel, que mantém suas próprias armas nucleares na região. Essa situação é emblemática da intrincada geopolítica do Oriente Médio e das disputas que marcam o cenário atual.
As negociações entre Washington e Teerã enfrentam um impasse, que é intensificado pela falta de confiança mútua. O Irã argumenta que os Estados Unidos estão adotando “mensagens contraditórias” e violando acordos de trégua, enquanto os EUA acusam o Irã de não negociar de boa-fé. Recentes ações militares, como a interceptação de navios iranianos e a manutenção do bloqueio naval no Estreito de Ormuz, exacerbaram ainda mais as tensões, com o Irã percebendo essas ações como uma continuação da guerra.
A recusa do Irã em participar das próximas rodadas de negociações praticamente paralisou o processo diplomático. Em contraposição, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não há urgência em alcançar um acordo e que a vantagem está do lado americano, reiterando que qualquer negociação será realizada em termos favoráveis a Washington. Enquanto isso, as forças estadunidenses permanecem mobilizadas na região, intensificando a pressão sobre o Irã e, ao mesmo tempo, alimentando sua resistência.
