De acordo com um estudo publicado na revista American Antiquity, as peças analisadas pertencem à cultura Folsom, que remonta a cerca de 12.800 anos, e incluem um artefato potencialmente ainda mais antigo da cultura Clovis, estimado em cerca de 13.000 anos. Esses objetos, originalmente conhecidos, nunca haviam sido sistematicamente identificados como dados. Madden utilizou um método de comparação entre peças, distinguindo quatro características que permitem classificá-las como artefatos de jogo.
Ao longo da pesquisa, 565 artefatos foram identificados como diagnósticos e 94 classificados como prováveis dados, encontrados em 57 sítios arqueológicos. Essa descoberta não apenas amplia a compreensão sobre o uso de dados, mas também sugere que as práticas relacionadas a jogos de azar e probabilidades têm raízes profundas na cultura indígena da América do Norte.
Madden enfatiza que a inventividade e a criatividade dos povos nativos eram consideráveis, muito antes do que historiadores normalmente reconhecem. Enquanto que a ideia de jogos de azar pode insinuar um comportamento trivial, para os nativos norte-americanos, esses jogos carregavam um significado social e cultural profundo. O impacto do uso de dados e jogos pode mesmo ter influenciado as percepções sobre aleatoriedade e decisão, habilidades cruciais para a sobrevivência em tempos antigos.
Em um cenário mais amplo, essa pesquisa oferece novas perspectivas sobre a cultura indígena, destacando a importância das práticas lúdicas que, até hoje, permanecem presentes na vida social. Além de serem uma forma de entretenimento, esses jogos representam uma parte integral da identidade e da história dos povos nativos americanos, desafiando estereótipos e preconceitos que muitas vezes cercam a narrativa sobre a antiguidade e a complexidade dessas culturas.
