Estimada em US$ 11 bilhões, a missão, conhecida como Mars Sample Return (MSR), passou por uma revisão orçamentária que reduziu seu custo projetado para cerca de US$ 7 bilhões. Apesar dessa diminuição, o projeto ainda apresentava um alto nível de complexidade e incertezas que tornaram a obtenção de financiamento um desafio constante. Desde 2011, o MSR era classificado como prioridade máxima para a NASA, funcionando em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA). A missão visava levar amostras de rochas de Marte a laboratórios na Terra, onde análises avançadas poderiam responder a questões sobre a geologia do planeta e potenciais indícios de vida antiga.
Durante suas operações, os rovers Curiosity e Perseverance conseguiram ampliar significativamente o conhecimento sobre Marte, revelando evidências de um passado em que o planeta pode ter apresentado condições favoráveis à vida, como períodos úmidos e quentes. O Perseverance, especificamente, coletou 33 tubos contendo amostras que funcionariam como um registro vital da história marciana. No entanto, com o cancelamento da missão, o futuro dessas amostras é incerto, e elas permanecerão conservadas nas duras condições de Marte.
A arquitetura da missão envolvia um sofisticado sistema que incluía um módulo de pouso para coletar as amostras, pequenos helicópteros para apoio e um foguete destinado a lançar as amostras para a órbita marciana, onde uma outra espaçonave realizaria o transporte de volta à Terra. Apesar de algumas partes do orçamento ainda estarem alocadas para o desenvolvimento tecnológico, os recursos não são suficientes para a implementação do plano inicial.
Há possibilidades de que novas tecnologias possam permitir a análise de amostras diretamente em Marte, mas especialistas alertam que isso seria um substituto inferior em comparação com o que poderia ser alcançado em laboratórios terrestres. Outra alternativa seria a ESA prosseguir com o projeto de forma independente ou até mesmo que a China avance com sua própria missão de retorno de amostras, projetada para ganhar tempo.
A recente decisão deixou muitos cientistas desapontados, especialmente aqueles que investiram anos no planejamento e desenvolvimento da missão. O cancelamento do MSR marca não apenas uma perda de oportunidades científicas, mas também um esfriamento nas ambições de longo prazo da exploração espacial humana nos próximos anos.
