Na infância, as histórias em quadrinhos se tornavam verdadeiras escolas de vida e negociações valiosas entre as crianças nos cinemas.

Na minha infância, as histórias em quadrinhos eram muito mais do que apenas entretenimento – eram verdadeiras escolas de vida. Ao absorver seus enredos, eu convivia com personagens como Zorro, Tarzan, Fantasma, Flintstones, Jetsons, Pato Donald, Mickey e Pateta, e aprendia sobre diferentes épocas e ambientes, repletos de muita alegria.

Durante a semana, ganhava várias revistinhas que depois se tornavam objetos de troca valiosos. Os almanaques com capas especiais ou edições limitadas eram verdadeiras pérolas nas negociações, e aprendi desde cedo a importância da valorização de itens raros e colecionáveis.

Nos finais de semana, eu me dirigia aos cinemas Plaza, no Poço, ou Ideal, nas imediações do Mercado da Cidade, e Lux, lá na Ponta Grossa. Nestes locais, eu era levado por meus pais, que aguardavam enquanto eu fazia minhas trocas e negociações de quadrinhos, sempre com a esperança de encontrar edições raras.

Foi nesse ambiente de trocas que aprendi lições valiosas, como a importância de desenvolver rapidez de raciocínio e a habilidade de negociar de forma justa. Participar dessas atividades desde cedo me ensinou a dizer não ou sim quando necessário, desde que a transação fosse justa para ambas as partes.

Os negócios eram limpos e participavam meninos de diferentes idades e bairros de Maceió, fazendo com que eu aprendesse a interagir e negociar com pessoas de diferentes origens. Eu me lembro de como alguns meninos expunham suas revistas em um tamborete, enquanto outros as empilhavam em seus braços, exibindo suas coleções com habilidade e destreza.

Nesse ambiente, personagens como Buck Jones, Wyatt Earp e Roy Rogers ganhavam vida e emoção, despertando a curiosidade e o interesse de tantos outros. A chegada das revistas coloridas foi um grande sucesso, renovando o interesse pelos antigos heróis do faroeste e inspirando novas gerações.

Hoje, com alegria, recordo aquela época das revistinhas que fizeram parte do meu dia a dia, e sempre que posso, preservo a importância da família e da felicidade, mesmo diante dos desafios modernos que surgem em nosso caminho. Assim como o Tio Patinhas, eu valorizo a importância de manter vivas as lições e memórias que fizeram parte da minha infância, sabendo que, mesmo em tempos modernos, as lições dos quadrinhos ainda estão presentes em todas as esquinas.

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