Myung-Whun Chung Assume Direção Musical do Teatro alla Scala com Nova Montagem de “Otello” e Reformulação do Repertório Operístico até 2030

O renomado maestro sul-coreano Myung-Whun Chung inicia uma nova e aguardada etapa no Teatro alla Scala, em Milão, a partir desta sexta-feira, quando assume oficialmente o cargo de diretor musical da icônica casa de ópera italiana. Com um mandato que se estenderá, pelo menos, até 2030, Chung promete trazer um frescor inovador ao prestigiado palco.

A abertura da temporada será um momento marcante, com a apresentação de uma nova montagem de “Otello”, de Giuseppe Verdi, sob a direção cênica do aclamado Damiano Michieletto. Esta produção é especialmente significativa, pois marca a reentrada da obra em cena após 37 anos de ausência nos holofotes de La Scala. O superintendente Fortunato Ortombina enfatizou a importância dessa apresentação, afirmando que, pela primeira vez na história, o personagem Otello não será representado com maquiagem escura, rompendo uma tradição que persistiu por décadas.

A estreia de “Otello” não é apenas um marco por conta de sua produção inovadora, mas também carrega um forte componente comemorativo. Em 2026, celebra-se o cinquentenário da primeira transmissão ao vivo da abertura de temporada pela televisão italiana, realizada em 7 de dezembro de 1976. Para relembrar essa ocasião, a Rai transmitiu ao vivo a performance dirigida por Carlos Kleiber e produzida por Franco Zeffirelli. Além disso, neste ano, a Rai Cultura renovará suas transmissões ao vivo, permitindo que um público ainda maior tenha acesso ao espetáculo.

Myung-Whun Chung não se limitará a “Otello”. Ele também regerá outra obra célebre de Verdi, “Macbeth”, dentro de uma temporada que combina clássicos atemporais e produções menos convencionais. Entre os destaques estão “La Bohème”, na conhecida montagem de Zeffirelli, e obras raramente apresentadas, como “Nixon in China”, do compositor americano John Adams, e “Dom Quixote”, de Jules Massenet.

Ortombina também expressou seu desejo de fortalecer o repertório tradicional da casa e enfatizou a importância de investir na formação de novos intérpretes. Ele ressaltou a necessidade de não permitir que La Scala fique sem grandes títulos devido à falta de vozes adequadas. Entre as 13 óperas programadas para a próxima temporada, destaca-se “I Puritani”, que não aparecia na programação do teatro há seis décadas. “Devemos encontrar e cultivar essas vozes”, concluiu Ortombina, sinalizando que há um vasto trabalho pela frente para moldar uma nova geração de cantores na célebre instituição.

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